Ensemble OCAM - Encerramento da exposição ‘Invenções da Mulher Moderna, para Além de Anita e Tarsila’

20/08/2017 17:00

Ensemble OCAM, grupo formado por parte das instrumentistas da Orquestra de Câmara da ECA-USP, faz apresentação com obras de compositoras contemporâneas,

no encerramento da exposição ‘Invenções da Mulher Moderna, para Além de Anita e Tarsila’

 

Evento, que tem regência do maestro Gil Jardim, traz peças, algumas inéditas, das compositoras Léa Freire, Valéria Bonafé e e Patrícia Lopes

 

Ensemble OCAM

Encerramento da exposição ‘Invenções da Mulher Moderna, para Além de Anita e Tarsila’

20/08/17 – domingo – 17h – Grátis

Faixa Etária: Livre – Duração: 60min – Capacidade: 400 lugares 

Local – Instituto Tomie Ohtake – Grande Hall

Endereço - Rua Coropés, 88, tel.: (11) 2245 1900, Pinheiros

 

O Ensemble OCAM, grupo formado por integrantes da Orquestra de Câmara da ECA-USP, surgiu da vontade de pesquisar e estudar o repertório voltado para a música de câmara. Formado em 2013, o grupo, que se organiza em diferentes formações, já realizou vários recitais em inúmeros teatros de São Paulo, sempre com sucesso de público e crítica.

Desta vez, o diferencial é que será formado apenas por mulheres e para tocar obras de compositoras brasileiras contemporâneas como Léa Freire, Valéria Bonafé e Patrícia Lopes. O concerto, que acontece no Instituto Tomie Ohtake, se dá no encerramento da exposição Invenções da Mulher Moderna, para Além de Anita e Tarsila. A regência é do maestro Gil Jardim e a ideia do projeto é da produtora cultural Andrea Costa, que atua com a OCAM.

A construção do repertório não poderia ser diferente. Três compositoras de renome na música brasileira, popular e contemporânea, mostram como as mulheres ocupam de maneira criativa, complexa, sublime e profunda, os territórios do saber e do sentir.

 

A OCAM está completando 22 anos de existência e é considerada um dos principais organismos artísticos da Universidade de São Paulo. Caracterizada pela qualidade sempre marcante de suas performances musicais e pela maneira personalizada com que desenvolve todas as ações de comunicação e de relacionamento que sustentam sua proposta artística. Criada pelo maestro Olivier Toni (1926-2017), é dirigida, desde 2001, pelo maestro Gil Jardim.

Gil Jardim é graduado​ pelo Departamento de Música da ECA-USP, na qual leciona desde 198​5. Desenvolve uma carreira profissional versátil e arrojada, unindo performance, docência, pesquisa​ e ainda escreve música para projetos vários. Desde 2001 é o Diretor Artístico da OCAM-ECA/USP. ​​​Ao ​longo desse período, ​qualificou e ampliou as possibilidades pedagógicas do Depto. de Música no âmbito da música orquestral​. ​Já dirigiu grandes orquestras brasileiras. No Exterior, podemos citar a Royal Phillarmonic Concert Orchestra (Londres).

 

Sobre as compositoras

Léa Freire

Léa Freire é um dos nomes mais importantes de nossa música instrumental. Tem mais de 30 anos de carreira, cerca de 15 discos lançados e nesse tempo, tornou-se uma flautista improvisadora e celebrada compositora. É também integrante do Quinteto Vento em Madeira, com o qual lançou vários álbuns, entre eles, Quinteto Vento em Madeira (2011) e Brasiliana (2013), todos com ótima receptividade de imprensa.

Léa estudou primeiramente piano, quando se aproximou de compositores brasileiros como Villa-Lobos, além de Bach e Debussy. Paralelamente interessou-se por rock e jazz, sem esquecer a bossa nova, o choro, baião e outros ritmos nacionais. A lista de artistas com quem atuou é extensa, entre eles, Alaíde Costa e Monica Salmaso. Tem parcerias com Joyce, que gravou músicas da dupla, inclusive no Japão, Alemanha e Inglaterra. Seu primeiro CD, Ninhal, de 1997, também abriu seu selo Maritaca, que já lançou mais de 50 títulos. Léa é também produtora e editora de música instrumental e editou dois livros com partituras dos CDs Caderno de Composição (Mozar Terra) e o citado Quinteto.

Léa comenta sua composição A coisa ficou russa, que foi lançada no CD Brasiliana, do Quinteto Vento em Madeira, do qual faz parte:  “Ouvindo a Orquestra Simon Bolívar, da Venezuela, tocar uma peça do compositor russo Dmitri Shostakovich, fiquei impressionada e me deu vontade de fazer uma coisa ‘Russa’. Mas logo em seguida essa ‘coisa’ virou uma marcha rancho em 3/4, ou seja foi uma viagem curta... Daí evolui para uma espécie de frevo e terminou ‘mezzo russa’ de novo”. A peça tem arranjo escrito por Léa, especialmente para as mulheres da OCAM.

 

Valéria Bonafé

Valéria Bonafé é paulista e fez graduação, mestrado e doutorado na USP. Durante o doutorado passou um ano estudando na Alemanha, com Marco Stroppa, na Musikhochschule Stuttgart. Atualmente é professora da Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, pesquisadora do NuSom – Núcleo de Sonologia da USP e ativista da rede Sonora – Músicas e Feminismos.

No evento vai mostrar a obra Trajetórias - Eu estou no Instituto Tomie Ohtake fazendo uma trajetória pessoal de escuta. Trata-se de um trabalho que, como diz Valéria, “se localiza numa zona híbrida entre composição, improvisação e instalação, dialogando especialmente com a ideia de sítio-especificidade. Com 30 minutos de duração, foi projetada para ser realizada em espaços abertos ou fechados que favoreçam a circulação do público participante, como praças e parques, por exemplo. O público participante é convidado a se deslocar livremente por entre esse espaço numa espécie de caminhada sonora não-guiada, na qual trajetórias singulares de escuta podem ser vivenciadas. Este trabalho propõe assim um jogo permanente entre totalidade e fragmentação, pertencimento e isolamento, foco e desfoco, concentração e dispersão”.

 

Patricia Lopes

Patricia Lopes é pianista e compositora, que hoje vive em S. Paulo mas iniciou seus estudos aos seis anos, em Londres, cidade onde nasceu. Concluiu o Mestrado em Composição Musical na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em seu Doutorado desenvolveu pesquisa sobre a parceria do compositor Tom Jobim (1927-1994) com o compositor e arranjador alemão radicado nos Estados Unidos Claus Ogerman, sob orientação do maestro Gil Jardim. 

Morou e estudou também em Brasília, Tóquio (Japão), Marselha (França) e Abu-Dhabi (Emirados Árabes). Como arranjadora, colaborou com artistas como Seu Jorge (CD Samba Esporte Fino, 2002) e Paula Lima (É isso Aí, 2001). Como compositora, suas mais recentes produções foram O Feminino em Pessoa - sete canções para voz e ensemble, apresentadas pelo Ensemble OCAM. Em 2015, apresentou um ciclo de concertos em Nova Iorque, com composições próprias, ao lado do saxofonista europeu Ohad Talmor.

Patricia Lopes compôs os temas Jardim das flores, Hortência e No ar da noite, especialmente para esta apresentação. As músicas mostram como o universo feminino é percebido pela autora, que tem se dedicado a essa temática em trabalhos recentes. Patricia detalha que é importante ter um grupo só com mulheres tocando: “A ideia de trazer a tona essas qualidades femininas, como a flexibilidade, a generosidade e o calor materno, se torna essencial, ou até mesmo, urgente, no mundo de hoje. A mulher simboliza a mãe-terra, a criação, a nutrição. Essa força do feminino eu encontro na garra das meninas do Ensemble OCAM”.

 

O Ensemble OCAM é:

 

Diana Leal Alves, violino

Eva Lemmi, violino e viola

Thayara Siqueira, violino

Beatriz de França Oliveira, contrabaixo

Tahyná Oliveira, flauta 

Catherine de Santana Silva, oboé

Laís Francischinelli, clarinete e clarone

Bianca Silva Santos, trompete

 

Convidadas especiais:

Inés Terra, voz

Nina Hotimsky, acordeão

Amanda Ferraresi, violoncelo

Cristina Akashi, percussão

 

Programa:

 

PATRÍCIA LOPES - Jardim das flores

                               Hortência

                               No ar da noite

 

LÉA FREIRE - A coisa ficou russa  

 

VALÉRIA BONAFÉ - TRAJETÓRIAS: Eu estou no Instituto Tomie Ohtake fazendo uma trajetória pessoal de escuta