Victor Aquino publica seu centésimo livro

Aos 69 anos, Victor Aquino é um pouco de tudo: professor universitário, pesquisador na área de estética na publicidade e, não menos importante, escritor. Com uma carreira vasta, completou 48 anos dentro da ECA em março último e ainda atingiu, nas últimas semanas, a marca de 100 livros publicados, alcançada com o lançamento de Meus Modos de Ver a Arte.

 

Carreira acadêmica

 

“É uma vida inteira de estudo e pesquisa”, conta Aquino. De fato, assim foi: na USP desde “o terceiro vestibular da Escola de Comunicações Culturais”, no fim dos anos 60, formou-se em Relações Públicas, em um período em que a ECA e a própria Universidade se constituíam e passavam por processos determinantes para sua estruturação.

 

Começou a carreira muito cedo, tendo, no campo profissional, se tornado um “publicitário de grande satisfação”, dirigindo diversas campanhas no Brasil, inclusive uma “memorável” sobre prevenção de acidentes de trabalho, que foi veiculada na mídia por um ano e meio e, ainda, trabalhado junto ao reitor da USP, participando da criação da Rádio e da TV da Universidade, bem como da Orquestra Sinfônica (OSUSP) e do Teatro (TUSP).

 

Em determinado momento, resolveu dar continuidade aos estudos, desenvolvendo assim, mestrado e doutorado no campo das Ciências da Comunicação. Prestando concurso público e de livre-docência, tornou-se docente e, posteriormente, coordenador do curso de Editoração. “Nisso, eu acabei optando por ficar só na Universidade, em tempo integral,” explica, comentando que a decisão foi tomada depois de terminar um pós-doutorado realizado na França.

 

Com o concurso de professor titular, Aquino acabou mudando de departamento e ingressando no corpo docente do Departamento de Relações Públicas, Publicidade e Turismo (CRP), local no qual eventualmente assumiu o cargo de coordenador do curso de Publicidade e Propaganda. Em 1991, foi eleito pela primeira vez chefe do CRP. “Cumpri, nesses anos todos, oito mandatos diferentes na chefia do departamento,” conta.

 

“Tendo sido chefe do departamento e presidente das comissões de graduação, pós-graduação e cultura e extensão, era natural que, em determinado momento, eu concorresse à direção da Escola,” pontua. Assim, elegeu-se, em um primeiro momento, vice-diretor, durante o mandato de Eduardo Peñuela e, terminado este, assumiu a direção da ECA, na qual ficou por quatro anos. Saindo deste posto, voltou à docência na área de estética na publicidade, estando, hoje, à frente de disciplinas da graduação e da pós-graduação.

 

 

Literatura e escrita

 

O professor ainda atendia pelo nome de Tupã Gomes Corrêa quando começou a escrever: foi apenas em 2004 que adotou Victor Aquino, um de seus pseudônimos, mas, desde antes disso, já lançava títulos sob o primeiro nome.

 

Independentemente do nome com o qual assinava, escrever sempre foi algo que lhe deu prazer. Ainda estava no Rio Grande do Sul, estado onde nasceu, quando percebeu que gostava de publicar, ao lançar o livro de poesias Vênus de Mel. E, apesar de desenvolver uma intensa vida de estudos, nunca achou que essa decisão deveria obrigá-lo “a ficar escrevendo as mesmas coisas”, bem por isso, durante toda a sua carreira assinou tanto títulos de produção acadêmica como de ficção, sendo que nesse último, não se restringiu a um único gênero: escreveu romances, como O Padre e o Açougueiro; uma peça de teatro chamada Um Padre no Inferno; a biografia de seu pai, denominada Os Significados da Paisagem e diversas coletâneas de poesia. “Até hoje, eu só procurei agradar um único leitor, que sou eu,” comenta.

 

Em determinado momento, “depois de escrever muita poesia”, Aquino decidiu criar uma forma de expressão poética própria: daí surgiu a triliça, neologismo criado para se referir à texto com três estrofes, cada uma com três versos, com métricas e rimas. “Assim, eu comecei a reescrever quase tudo,” conta.

 

“Eu estou sempre escrevendo, vou continuar enquanto viver e daqui a pouco terei 200 livros,” revela. Assim, já tem lançamentos planejados para esse ano, tal como a Antologia Poética, coletânea que será publicada em novembro com 1284 poemas, retirados de seis livros de poesia e um romance escrito há mais de 20 anos e que agora ele revisou e publicará na França, traduzido para Clementine Conta Tudo de Si.

 

Meus Modos de Ver a Arte

 

Coletânea de poesias, o centésimo livro surgiu no sentido de mostrar que “arte é arte e cada um a entende e a vê como quer”. Após participar do Programa Interunidades Estética e História da Arte, uma experiência “divertida mas um tanto constrangedora”, devido a relação com os colegas das artes visuais, Aquino começou a escrever triliças em que transmitia o modo como percebia obras de arte consagradas da história. Estes poemas foram escritos ao longo dos anos e recentemente ele decidiu organizá-los: no livro, constam composições acerca de pinturas como Quarto em Arles, de Van Gogh e Retrato do Papa Julio II, de Rafael Sanzio. Confira um dos poemas:

 

Essa cama

 

“Quem dormia nessa cama?”

“Era o Van”, disse a empregada

Indagou de novo à ama

 

“Mas qual Van ele seria?”

Respondeu “sei quase nada

Sofria de epilepsia

 

Parece cortou a orelha

Por causa da namorada

Ou picada de uma abelha”

 

(Triliça composta para Quarto em Arles, de Vincent Van Gogh)

 

Em 21 de junho, às 17h, o Departamento de Relações Públicas, Publicidade e Turismo (CRP) recebe um debate para o lançamento do livro, com a presença de Oswaldo Ceschin, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Paulo Nassar, vice-chefe do CRP e Emerson Nascimento, representante do Instituto da Moda, editora pelo qual o título está sendo publicado.

 

Meus Modos de Ver e Arte e diversos outros livros de Victor Aquino podem ser encontrados em seu site.

 

Texto: Victória Martins

Fotos: Arquivo pessoal (Facebook)

 

fonte:lac.usp.eca, por