Privilégios da branquitude são tema do Diversidade em Ciência desta semana

27/07/2019 14:00
27/07/2019 15:00

No Diversidade em Ciência desta semana, Ricardo Alexino Ferreira entrevista Lia Vainer Schucman, doutora em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP e autora da tese financiada pela Fapesp “Entre o ‘encardido’, o ‘branco’ e o ‘branquíssimo’: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana”.

Durante o programa, Lia Schucman irá apresentar os resultados de sua pesquisa e como a ideia de raça e os significados acerca da branquitude são apropriados e construídos por sujeitos brancos na cidade de São Paulo. Como metodologia, a pesquisadora entrevistou indivíduos que se autodefiniram como brancos e investigou como eles pensavam a questão da identidade étnica.  

Segundo ela, “a branquitude é entendida como uma construção sócio-histórica produzida pela ideia falaciosa de superioridade racial branca, e que resulta, nas sociedades estruturadas pelo racismo, em uma posição em que os sujeitos identificados como brancos adquirem privilégios simbólicos e materiais em relação aos não brancos”.

“Uma das características mais marcantes da branquitude é que o sujeito branco tem uma ideia de que ele é normal. Ou seja, ele é a norma e o outro, diferente. Logo, o branco já tem, de partida, um privilégio muito grande: ele não carrega sua raça. Se ele roubar, vão falar ‘aquele homem, o João, roubou a loja’. Nunca será ‘os brancos’ roubaram a loja. Enquanto que em outros segmentos racializados – índios, negros e outros –, o indivíduo sempre carrega um grupo. Ou seja, se o indivíduo negro roubou uma loja, logo será dito que os negros roubam”, explica. 

Lia Schucman é a convidada do Diversidade em Ciência. Foto: acervo pessoal

A tese de Lia Schucman transformou-se no livro “Entre o ‘encardido’, o ‘branco’ e o ‘branquíssimo’: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana”, editado pela Fapesp/Annablume. Schucman é também pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP. A sua pesquisa foi transformada no livro “Famílias inter-raciais: tensões entre cor e amor”, pela Editora da UFBA (EdUfba).

Gravado nos estúdios do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), Diversidade em Ciência é um programa de divulgação científica, voltado para as ciências da diversidade e os direitos humanos e vai ao ar toda segunda-feira, às 13h, e aos sábados, às 14h, sendo reapresentado às terças-feiras, às duas horas da manhã, com direção e apresentação do jornalista, professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) e membro da Comissão de Direitos Humanos da Reitoria da USP, Ricardo Alexino Ferreira, com operação de áudio de João Carlos Megale.

A Rádio USP-FM pode ser sintonizada em 93,7 MHz/SP ou por este link.