Oito pesquisas de iniciação científica são indicadas para próxima etapa do SIICUSP

Sete estudantes da ECA e uma estudante da Universidade Paulista (UNIP) tiveram seus projetos de iniciação científica selecionados para participar da próxima fase do 26º Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (SIICUSP).  A etapa internacional do simpósio será realizada nos dias 22 e 23 de novembro.

Os estudantes Bruna D’Arc Silva, Ricardo Reis Vieira, Caio Arcolini Jacoe, Verena Fredigoto Daroque, Guilherme Ribeiro da Cunha, Pedro Henrique Graminha e Carolina Ribeiro de Oliveira, da ECA, e Angela de Almeida Panseri, da UNIP, foram escolhidos dentre os 53 que se apresentaram na primeira etapa na ECA, distribuídos em 15 mesas temáticas.

O presidente da Comissão de Pesquisa da ECA, Silvio Ferraz Mello Filho, explica como foi feita a seleção das pesquisas: “quando os alunos apresentam os trabalhos, a gente tem um formulário que é fornecido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) e tem diversos dados”. São analisados o conteúdo geral, a apresentação oral e o resumo. “A gente vê se o estudante conhece os objetivos da pesquisa dele, se ele conhece as virtudes e limitações da metodologia que ele está usando, se entende os resultados obtidos”, afirma o professor do Departamento de Música (CMU), “porque às vezes o resultado é importantíssimo e ele mesmo não percebeu”.

Os avaliadores dão notas de acordo com estes critérios e lançam em uma planilha da PRP, que seleciona 15% dos estudantes que tiveram as notas mais altas por instituto. “Quanto mais trabalhos apresentados na primeira fase, mais trabalhos serão selecionados para a etapa internacional”, esclarece.


Pedro Henrique Graminha, estudante do curso de jornalismo, apresentou o trabalho Por que fotografar? Análise da produção fotográfica a partir de uma abordagem existencialista das imagens. Foto: Susana Sato

Carolina Ribeiro de Oliveira, aluna do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), fez a pesquisa New York city high school system and its impacts on low-income students, sob a orientação do professor Eugênio Bucci, do Departamento de Informação e Cultura (CBD), e com o apoio da Agência USP de Inovação.  

A estudante quis entender como o formato de ensino médio norte-americano, em que nem todas as escolas públicas oferecem o mesmo currículo, impacta os jovens de baixa renda. “Eu fui para Nova York para entender como eles faziam isso lá. E por que Nova York? É uma cidade muito desigual, assim como São Paulo. É rica, mas desigual”. A flexibilização do currículo é uma das propostas da reforma do ensino médio no Brasil.

Adotando o recorte de Manhattan, uma das cinco grandes áreas de Nova York, ela analisou 96 das 109 escolas públicas. E alguns dos resultados foram: das 33 escolas acima da média da cidade em performance, apenas duas têm ampla maioria de alunos de baixa renda (ou seja, acima de 61% – média da cidade). Das 46 escolas com mais alunos de baixa renda do que a média, sete possuem taxa de matrícula no ensino superior maior ou igual a média. “As escolas que performam bem não estão atendendo alunos de baixa renda. Então existe um ciclo vicioso”, diz.

Carol Oliveira também cruzou os dados das escolas por cor e por localização. Com isso, chegou à conclusão de que as diferenças por programas oferecidos podem acentuar a desigualdade. Ela acredita que passou para a próxima fase do SIICUSP porque, “apesar de não ser um tema ecano, é interessante usar o que a gente sabe sobre jornalismo, desigualdade e como a gente consegue conversar várias áreas diferentes”, para falar sobre um tema que está em pauta. “É interessante ver como esse modelo que a gente está querendo implantar aqui, se ele atendeu ao desafio de suprir a desigualdade. E a gente vê que não”, conclui.


A professora Susana Cecilia Almeida Igayara de Souza com Caio Arcolini Jacoe, autor do trabalho Carlos Alberto Pinto Fonseca (1933-2006), investigando o desenvolvimento de uma escola de regência brasileira. Foto: Reprodução/Facebook

O trabalho de Bruna Darc Silva, Dimensão simbólica da desigualdade de gênero: a (sub)representação da mulher na ciência, também está na próxima fase do SIICUSP. “A minha IC buscou analisar a representação do gênero feminino no corpo docente da USP, considerando um contexto de violência simbólica nas relações sociais e desiguais de gênero”. Bruna é aluna do curso de Relações Públicas.

Usando os dados do portal transparência da USP, alguns resultados foram: as mulheres representam 38% do total do corpo docente; na área de engenharia, as mulheres são 20% dos docentes. Apenas 34% das professoras exercem funções de estrutura de liderança da USP.

Ela acredita que tenha sido selecionada para a etapa internacional devido a metodologia que utiliza estudos de gênero e dados estatísticos. “São muitos os obstáculos que desencorajam o envolvimento da mulher em espaços que são demarcados como não pertencentes, tais como a docência acadêmica em determinadas áreas do conhecimento”, afirma, “porém, como declarei em minha pesquisa, acredito que é na adversidade que encontramos a nossa resistência".

Bruna diz que o SIICUSP é um momento de trocas importante para quem apresenta e para quem avalia, “mas não nego que a ideia de apresentar na segunda fase gera em mim uma ansiedade maior”.


A primeira etapa do SIICUSP aconteceu entre os dias 25 e 27 de setembro. Foto: Nataly Camargo

Os outros trabalhos selecionados foram: Princípios de conservação em têxteis norte-americanos no MAE/USP, de Ricardo Reis Vieira, aluno do Departamento de Artes Cênicas (CAC), Carlos Alberto Pinto Fonseca (1933-2006), investigando o desenvolvimento de uma escola de regência brasileira Os quatro modelos das técnicas instrumentais estendidas, de Guilherme Ribeiro da Cunha, do Departamento de Música (CMU), Didática nos cursos de Relações Públicas: desafios e perspectivas do ensino universitário, de Verena Fredigoto Daroque, do CRP, Por que fotografar? Análise da produção fotográfica a partir de uma abordagem existencialista das imagens, de Pedro Henrique Graminha, do CJE, e Temas não Convencionais na Literatura Infantil e Juvenil Contemporânea: Quebrando Tabus, da aluna Angela de Almeida Panseri, da UNIP.

Próxima fase

Silvio Ferraz afirma que a próxima fase acontece de forma semelhante à primeira: “são convocados alguns professores, pós-doutorandos, e, para alguns institutos, até mesmo doutorandos. Eles veem os posters, escutam a apresentação e recebem uma planilha em que colocam as notas”, segundo o professor. Os avaliadores lançam as notas no sistema e, a partir disso, serão selecionados os participantes da etapa, realizada fora do país.

 

Texto: Mirella Coelho
Foto de capa: Susana Sato