Massimo Di Felice participa de "A vida secreta dos objetos"

Aconteceu no dia 3 de agosto, o Simpósio Internacional A vida secreta dos objetos: Ecologias da Mídia. O evento, que contou com a participação do professor Massimo Di Felice, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), ocorreu no Teatro Tuca e debateu como as mensagens da mídia hoje vem sendo substituídas ou complementadas por um renovado interesse pelos aspectos materiais e tecnológicos dos processos comunicacionais.

“É com prazer que participo pela segunda vez deste Simpósio Internacional que tem como tema A vida secreta dos objetos. É uma oportunidade de refletir sobre uma temática que manifesta com clareza um certo desconforto que há alguns anos existe no âmbito da epistemologia da comunicação. Este desconforto surge em seguida da difusão da comunicação nas redes digitais, que inviabilizam, pelas suas formas conectivas e pelas suas qualidades ecológicas de interação, a arquitetura dualista ocidental que distingue e opõe o sujeito ao objeto, o homem à técnica e a cultura à natureza”, exemplifica Massimo.

     

Para o professor, a revolução digital e tecnológica mudou a relação do ser humano com o mundo a sua volta. “As redes digitais conectivas, a digitalização das biodiversidades, das florestas, dos oceanos, dos planetas, das coisas e de tudo que existe, quebraram a ecologia da frontalidade que separava o humano do seu "em torno" (coisas, técnicas, etc) e introduz um novo tipo de interação conectiva que nos permite não mais apenas representar o mundo e as coisas, mas nos conectar a essas”. Com tão nítidas mudanças, é necessário repensar os canais de comunicação e o como a humanidade se interliga. Torna-se evidente uma busca por novos métodos que vão além do dos fluxos entre emissores e receptores da comunicacão instrumental e industrial. Sorte que no Brasil há uma riqueza cultural que já olhava por esta perspectiva há tempos. “Aqui nós somos privilegiados em relação a diversos outros países, pois existem nas culturas tradicionais e indígenas outros tipos de epistemes que, como no caso da etnia Kraho, há tempos acreditam que os objetos falam. Como se pode observar, a Internet das Coisas não é uma categoria idônea para entender as transformações em ato. Deve-se preferir, a meu ver,  a ideia de redes conectivas que articulam ecologias de conexão entre informações, pessoas, dispositivos, biodiversidades, coisas,  etc.”, finaliza Massimo.

                                
                               Evento "A vida secreta dos objetos"

 

Texto: Felipe Ruiz
Imagens: Divulgação