Aluno e docente do CTR participam da realização do Documentário ‘Dis’Mobilidade Urbana, do IEA e FM-USP

Recentemente, o professor Gilson Schwartz, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) e o graduando Diego Lombo Machado, também do CTR, participaram da realização do documentário ‘Dis’Mobilidade Urbana, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) e Faculdade de Medicina (FM-USP). Lançado no dia 20 de setembro, o documentário discute as dificuldades de locomoção e transporte na região do Hospital das Clínicas (HC), localizado no mais importante complexo médico-hospitalar da América Latina, o Quadrilátero da Saúde, além do impacto que o problema causa nos atendimentos aos pacientes.

O apoio de Schwartz ao documentário está vinculado ao projeto Cidade do Conhecimento, que entrou em uma nova fase no primeiro semestre de 2017, durante o programa sabático do docente. De acordo com o professor, o projeto teve início em 1999, após seleção em concurso no IEA e, naquele momento, tinha o intuito de estudar a “transformação nos processos de produção de conhecimento” em uma época na qual a internet ainda era incipiente, pensando em “uma nova etapa na história em que a cidadania é redefinida pelo conhecimento produzido em redes digitais”.

Ao longo dos anos, foram desenvolvidos diversos estudos e, em 2017, com o programa sabático, Schwartz pôde “fazer um balanço dos 18 anos de iniciativas de estudo e experimentação com as tecnologias de informação e comunicação em várias áreas do conhecimento”. Nesta nova etapa, a Cidade do Conhecimento tem executado projetos em parceria com diversas outras unidades da USP, com o desenvolvimento de games e o próprio documentário, em um esforço de “aproximar o audiovisual e os campos da ciência, da tecnologia e da vida em sociedade, ampliando-se de modo relevante o alcance da produção audiovisual e colocando em primeiro plano a interdisciplinaridade”.

Desta maneira, segundo Schwartz, quando o professor Paulo Saldiva, diretor do IEA e professor da FM-USP, propôs a realização de um documentário voltado à acessibilidade do HC, coube ao docente mobilizar a equipe de colaboradores da Cidade do Conhecimento para apoiar a iniciativa. Assim, com o intermédio do docente, o graduando Diego Lombo Machado passou a auxiliar na produção do roteiro e na edição dos materiais filmados, reduzindo quase 22 horas de filmagem à um filme de aproximadamente 20 minutos.

“Espero que essa oportunidade seja um estímulo a mais de colaboração entre a ECA e outras áreas da USP", comenta Schwartz. Para ele, a maior importância do documentário está na mensagem política que dirige à Universidade sobre a necessidade de aproximar-se dos cidadãos, “sobretudo das periferias, das pessoas com menos renda, escolaridade e até acesso físico ao campus, hospitais e laboratórios”. “Ou fazemos essa ponte da douta ciência e da alta cultura com a realidade social brasileira ou seremos nós mesmos os algozes de um projeto de inegável significado histórico que foi a construção de uma universidade pública, gratuita e emancipadora no Brasil,” pontua.

O documentário

Segundo o professor Paulo Saldiva, a ideia para a realização do ‘Dis’Mobilidade Urbana surgiu após a Comissão de Sustentabilidade da FM-USP procurá-lo com uma proposta para o Dia Mundial sem Carro, que, contudo, “seria muito parecida com o que qualquer empresa poderia fazer”, com ações como incentivo a carona, entre outras.

Assim, o docente decidiu fazer um documentário de baixo custo, gravado com celulares e equipamentos baratos, que discutiria mobilidade e temas como as imperfeições nas calçadas, a falta de elevadores no metrô, trânsito, dificuldades de acesso com transporte público e outros problemas que afetam “um lugar que recebe 40 mil pessoas por dia”, introduzindo a área de humanidades dentro do currículo da saúde.

“Nós tocamos em um nível sensível que todos queriam resolver, mas não tinham espaço,” revela Saldiva. “E deixamos uma mensagem que comove”. Segundo o docente, o documentário, que conta com entrevistas com pacientes, médicos, enfermeiros, profissionais de resgate e estudiosos de mobilidade, conseguiu mostrar que “cuidar da saúde não é só cuidar do hospital para dentro” e que “é possível fazer um plano urbanístico voltado para a qualidade de vida e a saúde”.

Saldiva comenta que a partir do documentário, algumas soluções foram pensadas e a Faculdade de Medicina conseguiu mobilizar um grupo de professores que está trabalhando em como colocá-las em prática. “Nós identificamos uma série de situações que com um mínimo de gestão e pouco custo poderiam ser resolvidas,” pontua. “E o cinema foi fundamental para isso”.

Assista ao documentário:

 
Texto: Victória Martins
Foto de capa: USP Imagens