Antero Greco defende o sentimento do povo brasileiro e critica CBF em palestra no CJE

Em debate promovido pelo Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), através do Alterjor  (Grupo de Pesquisa em Jornalismo Popular e Alternativo), Antero Greco, da ESPN, e Anderson Gurgel – autor do livro Futebol S/A – A economia em campo, conversaram sobre Jornalismo e a Seleção Brasileira de Futebol. “Eu tinha o telefone da mãe e do irmão do Falcão (ex-jogador da Seleção), atualmente os jogadores são empresas e indústrias. É uma imagem que vale milhões, por isso se isolam. Por muitas vezes enxergam a imprensa como inimigos”, refletiu Antero, formado em jornalismo pela ECA em 1981.

Já o professor Anderson Gurgel seguiu a mesma linha, destacando a midiatização do futebol moderno. “Hoje não há mais aquele apego a uma camisa, a um clube. Os jogadores gerem suas carreiras e a Seleção é mais um fator deste futebol globalizado e capitalizado”, pontuou.

Antero Greco ainda relembrou grandes coberturas de sua carreira, realçando a importância do repórter estar na rua. Além disso, não deixou de lembrar da necessidade de buscar incessantemente a melhor informação. “O desafio da gente é quebrar, furar o sistema, insistir… Acreditar que aquilo que a CBF, ou qualquer empresa, coloca para o jornalista não é a melhor, ou a verdadeira, informação. Muitas fontes são os “invisíveis”, como o roupeiro ou a secretária”. Sobre o assunto principal do debate - a Seleção Brasileira, houve a consideração final. “A CBF é uma empresa particular que lida com um símbolo público, que é a camisa da Seleção. Há de se respeitar acima de tudo o sentimento do povo brasileiro”, finalizou o jornalista.