Comunicação pública é tema de pesquisa no CRP

 

O projeto de pesquisa Mapa da comunicação do primeiro setor tem por objetivo levantar e analisar dados a respeito da Comunicação Pública, com foco nos organismos governamentais, os quais constituem o Primeiro Setor no Brasil. Desenvolvido pela professora Mariângela Furlan Haswani, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP),  o projeto inicia uma nova etapa, voltada para a pesquisa de campo.

A proposta para o projeto surgiu em 2005, no retorno de Mariângela à docência na ECA, quando também sugeriu a incorporação de uma disciplina que abordasse a Comunicação Pública de uma maneira mais aprofundada, tanto na graduação em Relações Públicas como na pós-graduação lato sensu em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Gestcorp). Desde então, a professora vem produzindo e organizando material teórico que possa servir de pilar para a pesquisa e esboço do mapa.

 

Mas afinal, o que é Comunicação Pública?

Comunicação Pública diz respeito à divulgação de informações de interesse geral, por iniciativa de diversos tipos de instituições. “A Comunicação Pública não é apenas governamental. Ela pode ser feita por outras instituições, inclusive privadas”, explica a professora Mariângela.

Todavia, são muito poucos  os esforços e  a atenção voltados à Comunicação Pública no Brasil, tanto para fazê-la, especialmente no âmbito governamental, como para estudá-la. “No Brasil não se discute Comunicação Pública. E, com algumas poucas exceções, nós não a vemos aqui”, conta Mariângela.

Segundo ela, o papel de divulgar informações de interesse social e que, geralmente, constituem, inclusive, garantia de direitos constitucionais, acaba sendo exercido pela imprensa. “Mas a imprensa é livre. Então ela veicula se for interessante, se estiver de acordo com o que é recomendado em sua linha editorial”, comenta.

Em função da pouca presença da Comunicação Pública, também os estudos  no país são escassos e pouco fundamentados. “De uns anos para cá, alguns estudos têm surgido no Brasil. Mas são estudos pontuais, sem muita fundamentação”, diz a pesquisadora.

Por este motivo, antes de partir para o mapeamento propriamente dito, Mariângela sentiu a necessidade de teorizar o assunto especialmente para o Brasil.  Este trabalho, que começou pelo agrupamento de vários autores, especialmente italianos, tem como principal resultado a tese de doutorado da professora, finalizada em 2010 e cujas conclusões nortearão o projeto de pesquisa.

 

Comunicação Pública como garantia de direitos

Em sua tese , denominada Comunicação estatal como garantia de direitos: foco no Brasil, na Colômbia e na Venezuela, Mariângela comparou as constituições desses três países com relação à maneira como os direitos constitucionais são garantidos.  A intenção do estudo era elaborar um modelo de garantia de direitos na América Latina. Para a professora, a base primordial de tal modelo seria a comunicação. “Informação e comunicação são os principais instrumentos de garantia de direitos fundamentais. Por isso, a comunicação estatal deveria ser obrigatória”, ressalta.

“A nossa constituição é avançadíssima no quesito direitos, mas não fala sobre como garantí-los”, explica. Neste sentido, um dos objetivos almejados pelo projeto de pesquisa é que a legislação obrigue a realização da Comunicação Pública estatal no Brasil.

 

Perspectivas

A partir de 2012, a professora espera que o esboço do mapa comece a ficar mais completo. Anteriormente, ela já havia feito outras tentativas. Porém, encontrou certa dificuldade em obter informações confiáveis, inclusive pela quase inexistência da Comunicação Pública no sistema governamental brasileiro.

Este esboço começará a partir de secretarias municipais na cidade de São Paulo, com as quais algumas parcerias já estão encaminhadas. Posteriormente, o estudo focará a Grande São Paulo, depois o Estado e, por fim, o Brasil, em formato espiral. “Algumas secretarias já estão sendo contactadas, para mapearmos”, conta.

No Gestcorp também acontece uma iniciativa paralela, em que são diagnosticadas, com a perspectiva da Comunicação Pública, as áreas de pesquisa e trabalho dos pós-graduandos.

A partir deste ano também, a professora, que vinha trabalhando sozinha no projeto, cogita a formação de um grupo de pesquisa, que poderá ter como membros alunos do lato e stricto sensu, no qual a disciplina Fundamentos da Comunicação Pública foi introduzida em 2011. Mariângela também não descarta receber alunos de graduação para Iniciação Científica. “Pretendo trazer maior visibilidade para a Comunicação Pública a partir de 2012. Abrir um pouco mais a discussão, mostrar para as pessoas.”.

 

por Bruna Romão
Edição: André Chaves de Melo