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Entrevistada por Ricardo Alexino Ferreira, Kiusam fala sobre literatura infanto-juvenil negra e sua interseção com a educação

 

Sabe-se que, hoje, a literatura contempla temas antes invisibilizados por ela. Dessa forma, assuntos como a negritude tem ganhado força no Brasil e, por isso, tem sido mais tematizado dentro dos livros. Todavia, faz-se necessária uma especulação: as escolas estão preparadas para tratar do tema com as crianças e adolescentes negros?

Para realizar essa ponte entre a literatura infanto-juvenil negra e a educação, Ricardo Alexino Ferreira, professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), entrevista Kiusam Regina de Oliveira, professora de Educação das Relações Étnico-raciais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), doutora em Educação e mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo. 

Kiusam é uma artista multimídia, arte-educadora, bailarina, coreógrafa e contadora de histórias da mitologia afro-brasileira. Além disso, é autora dos livros “O mundo no black power de Tayó”, selecionado para o Acervo Básico da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ/2014), na categoria Criança; “O mar que banha a ilha de Goré”, ganhador, em 2014, do Prêmio Escritores Negros da Biblioteca Nacional e da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e “Omo-Obá: histórias de princesas”, selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), em 2011.

A entrevista vai ao ar no sábado, dia 19, às 14 horas, na Rádio USP. Essa entrevista é parte de um programa da Rádio USP denominado Diversidade em Ciência, que é gravado no CCA e vai ao ar todas as segunda-feiras às 13h, às 2 horas da manhã e, sábado, às 14 horas. O Diversidade em Ciência é um programa de divulgação científica voltado para as ciências humanas e conta com a coordenação do professor Ricardo e operação de áudio de João Carlos Megale. O programa, assim como a Rádio USP-FM podem ser acessados sincronizando em em 93,7 MHz/SP ou no site do Jornal da USP.

 

Foto: Ricardo Alexino Ferreira

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Em sua sexta edição, o Desafio Universitário de Turismo, promovido pela ECA Jr., é uma oportunidade para que alunos dos cursos de Turismo, Lazer e Hotelaria possam ter contato com a realidade de suas profissões. Resolvendo cases reais de uma empresa, grupos de alunos de três a quatro participantes podem concorrer a diversos brindes e até mesmo a uma viagem, concedida para a equipe vencedora. 

Pela primeira vez, o Desafio conta com participantes de todo o território brasileiro. A iniciativa é interessante por promover inovação e contato profissional, ao mesmo tempo em que estimula a criatividade dos alunos. 

As etapas ocorrem pela internet, à exceção da cerimônia de encerramento, sediada em São Paulo. O primeiro passo é realizar as inscrições online. Para isso, é preciso ter o grupo formado e pagar a taxa, que varia caso algum membro tenha sido contemplado com a inscrição social. 

Em seguida, os cases são enviados e os grupos têm cerca de duas semanas para resolvê-los. A etapa final, em São Paulo, é a apresentação dos casos dos finalistas para a banca avaliadora.

Para participar, os alunos devem estar regularmente matriculados nos cursos de Turismo, Lazer ou Hotelaria em instituições públicas ou privadas reconhecidas pelo Ministério da Educação.

As inscrições sociais começam no dia 23 de setembro e terminam no dia 22 de outubro. Já as inscrições gerais vão de 1º a 14 de outubro. A etapa final ocorre no dia 7 de dezembro. Para mais informações, consulte o site do Desafio

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As participações com apresentações de trabalho devem ser de estudantes do PPGCOM que já passaram pelo exame de qualificação

 

Até o dia 1º de novembro, a terceira edição do Conexão Pós estará recebendo resumos de pesquisas em andamento. Este ano o evento traz o tema  Resistência pela ciência e colaboração na pesquisa. O Conexão Pós é promovido pelo programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM), e será realizado nos dias 5 e 6 de dezembro de 2019.

Espera-se a participação, com apresentação de trabalho, de todos os estudantes do PPGCOM que já passaram pelo exame de qualificação. Os demais pós-graduandos podem participar na qualidade de ouvintes.

Para participar com apresentação da pesquisa, envie um e-mail para conexaoposppgcom@gmail.com, tendo como assunto: “Submissão – nome do estudante” e anexando à mensagem o resumo expandido da pesquisa conforme modelo.

Os alunos que qualificaram em anos anteriores e que já tenham apresentado trabalho nas edições passadas do Conexão Pós estão convidados a apresentar um novo recorte ou a continuidade da pesquisa.

Os trabalhos aprovados serão alocados em sessões temáticas a partir das novas linhas de pesquisa do PPGCOM: Comunicação, redes e linguagens: objetos teóricos e empíricos; Processos comunicacionais: tecnologias, produção e consumos; Comunicação: interfaces e institucionalidades.

A participação de todos os bolsistas do programa é obrigatória, seja como ouvinte ou com a apresentação de trabalhos. No entanto, há o incentivo para o envolvimento de todos os discentes com o evento. As inscrições devem ser feitas neste formulário.

A representação discente do PPGCOM também convida os estudantes da pós a participar da comissão científica do evento, que será responsável por organizar sessões de trabalho e pela avaliação dos resumos apresentados. Para colaborar, basta enviar um e-mail para geangoncalves@usp.br com telefone de contato.

Clique aqui e acesse o modelo de resumo expandido, além de obter mais informações sobre o cronograma e as linhas de pesquisa do PPGCOM. 

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A entrevistada da semana do Farofa Crítica, Dandara Elias, conta sua trajetória como empresária e como ela visa emancipar a população negra por meio da estética

 

O empreendedorismo, no Brasil, é uma tendência crescente que, em 2018, atingiu 38% da população adulta (entre 18 e 64 anos). Aproximadamente 52 milhões de brasileiros possuem o próprio negócio, segundo uma pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM). A partir dessa perspectiva, pode parecer que a diversidade de produtos e serviços seja grande e consiga suprir toda a população do país. 

No entanto, mesmo com tantos profissionais atuantes, determinadas pessoas ficam de fora da ótica do mercado. É o caso da população negra. No quesito estética, por exemplo, sabe-se que há 10 anos poucas marcas desenvolviam produtos para cabelos crespos e cacheados, bem como maquiagens que contemplassem as diversas tonalidades da pele negra. 

Tendo como objetivo alcançar esse público, cresce, no Brasil, o chamado afroempreendedorismo: profissionais negros que buscam, através de seus próprios negócios, oferecer produtos e serviços que atendam as demandas da população negra. Esse é o caso da entrevistada do Farofa Crítica dessa semana, Dandara Elias, uma empresária negra formada em Ciências do Estado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e dona de três empresas focadas na emancipação negra através da valorização da própria estética.

Sobre sua formação acadêmica, Dandara afirma que achava que mudaria o mundo por meio da política, mas que se desiludiu com a ideia durante o curso e, mesmo assim, conseguiu compreender que poderia realizar essa mudança fora de uma estrutura formal. Quando fez uma viagem de intercâmbio à África do Sul, ela teve uma surpresa: a segregação racial que há no país - marcado pelos resquícios do recém-terminado regime de apartheid -, em nada se diferia da segregação existente no Brasil. Da necessidade de combater o racismo, Dandara sabia que deveria empreender.

Dandara Elias, entrevistada do Farofa Crítica desta semana. Foto: site do CJE

O pontapé inicial de suas empresas surgiu com o afloramento de suas emoções durante a transição capilar. Dandara tinha necessidade de se autoafirmar para o mundo como alguém que ama a sua estética. Assim, ela pegou o pouco dinheiro que possuía e investiu em 10 camisetas que diziam “eu amo meu cabelo”, criou uma página no Facebook chamada Todo Black é Power e mandou mensagens para cada usuário negro que ela conhecia se apresentando e mostrando a sua ideia.

Dandara decidiu então inaugurar em sua cidade um salão de cabeleireiro focado em cabelos cacheados, tendo em vista que lá não havia profissionais capacitados para tratar o cabelo da população negra de forma natural, ou seja, sem uso de agentes químicos. O negócio expandiu-se e a empresária criou também uma escola para capacitar os membros do salão, além de um centro de compras. 

Ao mencionar as dificuldades que enfrentou, a empresária destaca a relação com os bancos. Os atendentes não reconheciam Dandara como a dona da empresa que buscava crédito. Além de uma empresa com bons números, a aparência é significativa para obter empréstimos, e o racismo faz com que uma mulher negra não se encaixe nos padrões existentes. Apesar disso, Dandara soube usar sua educação e não deixou de se sentir preparada para enfrentar a situação.

O marketing das empresas de Dandara é totalmente digital e gerido por ela. Preocupada com a sustentabilidade e o meio ambiente, ela nunca quis um panfleto com “sua marca sendo jogada no chão”. Ela assumiu o marketing de seus negócios depois de contratar agências e sentir que precisava sempre fiscalizar e ensiná-las como se comunicar com o público negro.

Atualmente, Dandara planeja novos voos, como tornar-se uma investidora de afronegócios e abrir uma casa de cultura. Com o crescimento da população negra empreendedora, ela acredita que é de suma importância se profissionalizar e entender temas como planejamento financeiro e impostos. Além disso, Dandara cita organizações importantes para a coletividade e a profissionalização dos afroempreendedores, como a Rede Brasil Empreendedor (REAFRO) e a Feira Preta.

 

Sobre o Farofa Crítica

O programa Farofa Crítica, apresentado pelo professor Dennis Oliveira, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), entrevista intelectuais, ativistas, pesquisadores, entre outros, sempre discutindo temas da atualidade. Produção do Centro de Estudos Latino-americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC) em parceria com o CJE, o programa conta com apoio do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

A operação de câmera é realizada por Alexandre Gennari, Djalma Ferreira e Guilherme Lima. Alexandre Gennari também é diretor de imagem, enquando Djalma Ferreira atua como assistente de estúdio e Guilherme Lima assina a edição.

Farofa Crítica vai ao ar todas às quintas no horário do almoço. A entrevista de Dandara, assim como as demais realizadas, podem ser acessadas no canal do programa no Youtube e no site do CJE

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A disseminação de notícias falsas trouxe a fragilização do processo eleitoral e o questionamento sobre a maneira como lidamos com a divulgação de informações nas redes sociais

 

É de conhecimento mundial o uso massivo de fake news durante as eleições no país em 2018. Recentemente, uma das redes sociais utilizadas para o disparo maciço de mensagens, o Whatsapp, assumiu que empresas contrataram envios em massa de mensagens falsas durante as últimas eleições, conforme esta reportagem da revista Exame. As fake news contribuíram, portanto, para uma eleição sem transparência e para a grande polarização entre os principais candidatos: Fernando Haddad (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PSL).

Nos últimos anos, as redes sociais passaram de plataformas digitais para aproximar pessoas a poderosos veículos para a distribuição massiva de informações. Enquanto uns acusam os propagadores de fake news de falta de compromisso com veracidade das informações, outros se defendem evocando o direito à liberdade de expressão.

Pensando neste e em outros cenários que vão além das eleições, o Observatório da Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom), lança o livro  Liberdade de Expressão: questões da atualidade, com organização da professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) Maria Cristina Castilho Costa e de Patrícia Blanco, presidente executiva do Instituto Palavra Aberta.

O livro conta com quinze artigos e traz um panorama sobre as fake news, era da desinformação, disseminação de discursos de ódio e seu impacto nos meios de comunicação.. Em seu artigo  Mentiras, discurso de ódio e desinformação violaram a liberdade de expressão nas eleições de 2018, o professor do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), Vinicius Romanini, fala sobre a ideia deturpada de liberdade de expressão: “(...) temos visto na atualidade uma distorção do conceito para justificar abusos no exercício deste direito. No ambiente de intensificação da disputa política entre extremos ideológicos, com o ressurgimento de grupos de extrema direita ocupando de maneira ostensiva a esfera pública de debate no ambiente digital, esses setores têm levantado a bandeira da liberdade de expressão para defender seus discursos racistas, machistas, homofóbicos, e até fascistas. Têm usado a liberdade de expressão para defender o discurso de ódio e a criminalização dos movimentos sociais”, afirma.

O uso de fake news nas eleições é o tema central do novo livro do Obcom. Foto: Tuddoweb

 

Em outro artigo do livro, Mais fake e menos news: resposta educativa às notícias falsas nas eleições de 2018, o jornalista Leonardo Sakamoto analisa uma forma educativa para o combate das fake news e também de que maneira a desinformação esteve tão presente nos últimos anos. Além de tratar da importância de se combater as fake news, Sakamoto estabelece algumas diferenciações, como entre sites que se passam por jornalísticos e outros que fazem paródias de veículos noticiosos, levando o público a não dar crédito para informações verdadeiras veiculadas pela imprensa. “Surgem outras propostas de combate à desinformação, incentivando uma postura mais crítica dos usuários perante publicações duvidosas. É o caso de plataformas de checagem de fatos que apresentam ao público provas que sustentam ou questionam suas informações. Entretanto, o público precisa entender o funcionamento dessas ferramentas de verificação e conseguir também compreender seu papel dentro das plataformas de redes sociais. Para isso, iniciativas didáticas podem funcionar de forma complementar para mostrar ao público os efeitos desse complexo cenário de desinformação e o que pode evitar a propagação de conteúdos falsos.”

 

O livro Liberdade de Expressão: Questões da atualidade está disponível no Portal de Livros Abertos da USP.

 

 

 

Texto: Samantha Nascimento da Silva