Sediado na ECA, congresso internacional reúne 800 pesquisadores para discutir educomunicação

Nos dias 12, 13 e 14 de novembro aconteceu na ECA o II Congresso Internacional de Comunicação e Educação, de organização geral dos professores Ismar Soares e Claudemir Viana, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA). O evento contou com mais de 150 apresentações de pesquisas divididos em 39 grupos temáticos; oficinas, para que os congressistas aprendessem técnicas possíveis de serem levadas para espaços educativos; e workshops, em que educadores dividiram suas experiências e deram dicas aos participantes.

No primeiro dia, o congresso contou com uma programação cultural que teve início logo na abertura, com apresentação do pianista Eduardo Monteiro, professor do Departamento de Música (CMU) e diretor da ECA. Alunos de licenciatura em educomunicação montaram um espaço no saguão do Prédio Central onde ficaram expostos alguns trabalhos desenvolvidos ao longo do semestre. Também aconteceu o lançamento do livro A cor da voz: identidade étnico-racial, educomunicação e histórias de vida, e, fechando o dia, a BaterECA fez uma apresentação na entrada do Prédio Central.


Pesquisadores do Canadá, Itália, Espanha, México e Brasil estiveram na mesa-redonda 20 anos da educação midiática: perspectivas históricas. Foto: Susana Sato

Paulo Freire foi lembrado na mesa-redonda 20 anos da educação midiática: perspectivas históricas. Para Ismar Soares, o pensador está na base do pensamento educomunicativo. Segundo o professor Claudemir Viana, Freire foi mencionado durante todo o evento. “E, no último dia, teve um manifesto em apoio às instituições educadoras que apoiam Paulo Freire como educador no Brasil, pelo que ele representa para educação no mundo”.

“Ele [Paulo Freire] consegue mostrar a diferença de uma educação que torna o sujeito passivo, oprimido e submetido ao sistema de produção”, afirma, e “traz uma outra proposta de processo educativo que se dá pelo respeito mútuo, pelo diálogo, pela troca de informações. Isso tira o sujeito de uma situação sempre opressora”. Esse projeto auxilia no objetivo da educomunicação de ajudar a sociedade a fazer uma leitura melhor do mundo, saber ler o que está presente na mídia e nas redes sociais, “inclusive, para poder se proteger de manipulações ideológicas, doutrinárias e ter um pensamento aberto, crítico”, de acordo com o professor.


Espaço montado pelos alunos de educomunicação ficou disponível em todos os dias do evento. Foto: Divulgação/ABPEducom

Alguns temas de workshops e oficinas foram Imprensa Jovem: a experiência dos 750 projetos da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Educomunicação e histórias em quadrinhos, Videoaulas: uma autoprodução – todos exemplos de práticas educomunicativas que já existem.

Claudemir Viana conta que essas práticas são desenvolvidas principalmente em projetos sociais, mas, apesar da Educomunicação ser um conceito recente, também vem ganhando espaço em escolas. “Tem 750 escolas no município [de São Paulo] que tem projetos de Educomunicação. Alguns são de jornal mural, outros são de rádio, outros são de canais no Youtube. Não é à toa que o evento foi enorme”, pontua.


Homenagem aos pesquisadores e gestores de programas internacionais de media education e aos organizadores do evento. Foto: Divulgação/NCE

O evento contou com 800 participantes, reunindo pessoas de 15 países que vieram participar do congresso. “É um conceito que se tornou política pública, que se tornou paradigma e que se tornou um campo profissional”, conclui.

Confira a cobertura completa do II Congresso Internacional de Comunicação e Educação no site da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom).

 

Texto: Mirella Coelho
Foto de capa: Susana Sato