Curso de Especialização em "Estética e Gestão da Moda" é resultado de atividades de ensino e pesquisa

 

Formar profissionais capazes de compreender os diferentes elementos envolvidos na gestão da moda contemporânea, compreendida enquanto resultado de questões culturais, de mercado e comunicacionais. Este é um dos principais objetivos do Curso de Especialização em Estética e Gestão da Moda da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, cuja primeira turma foi iniciada no ano passado.

Segundo Eneus Trindade, professor do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) e coordenador do curso, a moda, em específico, entra como uma temática que atravessa a mídia e o consumo. Portanto, se faz presente dentro do conjunto dos objetos de interesse para pesquisa em comunicação.

Trindade conta que foi a partir desta perspectiva que o professor Victor Aquino, chefe do CRP no ano de 2010, o incumbiu de criar o curso. “A iniciativa reflete um trabalho conjunto e a consolidação de um movimento histórico vivido no âmbito do meu Departamento, que tem em uma de suas vertentes de atuação a preocupação com as questões da estética e consumo, linguagem publicitária, produção de sentido da comunicação das marcas e da publicidade que permitiram a manifestação dessas propostas de pesquisa e extensão”.

Para o pesquisador, um dos aspectos mais interessantes do curso é que ele conta com a colaboração de professores de diferentes campi da USP, em especial de docentes do curso de graduação em Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). “A ideia do curso de especialização é integrar docentes, conhecimentos e auxiliar na capacitação de profissionais para inovar com criatividade na oferta de produtos e na gestão de negócios de moda.”

Pesquisa e vivência

Graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com mestrado e doutorado realizados na USP, Trindade  explica que o curso também é resultado das experiências acumuladas em atividades de ensino e pesquisa como professor da Universidade desde 2005. Nesse ano, o Programa de Ciências da Comunicação (PPGCOM) passou por uma grande reestruturação, o que incluiu a criação da linha de pesquisa Linguagem e Produção de Sentido da Comunicação. Ao atuar nessa linha, Trindade pode aprofundar seus estudos não somente sobre a linguagem publicitária, mas também, sobre outras linguagens, como a moda e sua produção de sentido no consumo. “Uma linha de pesquisa não surge da ideia de dar um nome para os estudos que fazemos, uma linha surge de um processo contínuo de amadurecimento do conjunto de docentes que trabalham sobre um determinado eixo temático”.

De acordo com o docente, este momento foi caracterizado por uma “síntese histórica da evolução do quadro docente da ECA” porque foi aberta a possibilidade de se aprofundar questões que envolvem a produção de sentido e a mediação cultural do consumo. Juntamente com outros colegas do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), esta experiência o levou a participar ativamente de outra nova reestruturação do PPGCOM, em 2010, que permitiu a criação da linha de pesquisa Consumo e Usos Midiáticos nas Práticas Sociais.

Trindade também é vice-líder do Grupo de Estudos Semióticos em Comunicação, Cultura e Consumo (Gesc3), em parceria com a professora Clotilde Perez (líder do Grupo), que tem como objetivo investigar os vínculos que existem entre marcas e publicidade de corporações, produtos e serviços com seus consumidores, na perspectiva de entender os fenômenos da midiatização cultural do consumo. “Além da sala de aula, a pesquisa se faz refletir em trabalhos de TCCs e orientações de Iniciação Científica. Às vezes esse processo de coerência  e coesão de um projeto docente de ensino e pesquisa fica pouco claro para o público da graduação, mas em meu trabalho pedagógico,  tal perspectiva tem sido um horizonte permanente de preocupação. Traduzindo, isso significa gerar conhecimentos de pesquisa que atualizem os processos de ensino e aprendizagem”, explica. “Além disso, as teorias da linguagem, as bases do trabalho metodológico em ciências sociais, sobretudo a antropologia, e também  as contribuições da  história, da psicologia social e da psicanálise são fundamentais no meu trabalho de investigação.”

 

por Silvio Augusto Junior
Edição: André Chaves de Melo