Departamento de Música homenageia o professor Sérgio Cascapera

Na manhã do dia 7 de março, como parte da programação da Semana de Recepção dos Calouros, o Departamento de Música (CMU) organizou uma homenagem ao professor Sérgio Cascapera, falecido em janeiro deste ano.

Logo na abertura, o professor Donizeti Fonseca falou sobre o professor, que foi seu amigo por décadas. “O Sérgio era de uma raça de músicos que resolveram estudar música”. Explicou que ele sempre se dedicara intensamente ao instrumento, tanto que havia criado o primeiro curso superior em trompete do país e ainda construíra uma sólida carreira como um trompetista de excelência. Revelou que Sérgio tinha um grande carinho por seus alunos, aos quais tratava como filho, e finalizou explicando que ele havia sido um dos pioneiros na luta para mudar a história dos metais.

O trompetista Bruno Lourensetto liderou a homenagem organizada por ex-alunos do professor, relatando que era muito estranho vir a uma apresentação do departamento e não ouvir o nome de Sérgio entre os docentes.  Em seguida, chamou ao palco um grupo de trompetistas composto por alunos, ex-alunos e colegas de Sérgio, que, regidos pelo maestro Jean Reis, do Festival Música nas Montanhas de Poços de Caldas, tocaram a música Amazing Grace, em um arranjo de Erik Morales.

Bruno contou que Sérgio havia sido como um pai para seus alunos, e agradeceu Laura, filha do professor, que estava presente na homenagem, por ter “dividido seu pai conosco”. Ela recebeu flores, em nome de todos do departamento, em uma expressão de gratidão.

No encerramento, Bruno chamou novamente o grupo de trompetistas, que tocou a música Heraldings, de Ronald LoPresti, com a regência do próprio Bruno e o solo de Dayvison Costa.

As apresentações dos trompetistas podem ser encontradas aqui (Amazing Grace) e aqui (Heraldings). 

 

Sobre Sérgio Cascapera

Criado em um ambiente musical, Sérgio Cascapera começou muito cedo sua instrução na arte. Seu pai, o professor Décio Cascapera, era trompetista, e foi com ele que, por volta dos oito anos de idade, começou a aprender o instrumento. Em entrevista ao site Projeto Musical, contou que começou com “bateria e saxofone alto. Um tempo depois, para a satisfação do meu pai, fui tocar trompete, que era justamente o instrumento que ele tocava”.

Pausou os estudos após a morte de seu mentor, mas retomou-os em 1973, quando entrou no Conservatório Dramático Musical de São Paulo. Com o passar dos anos, e aprimorando-se cada vez mais em sua área, foi tocar junto à Orquestra Sinfônica de São Paulo, na qual permaneceu por dezessete anos. “Ele levava muito a sério aquilo no que ele trabalhava então ele tinha uma excelência absurda no que ele fazia”, conta o professor Donizeti Fonseca. “Eu sei que ele estudava muito”.

Por influência de Olivier Toni, professor aposentado do Departamento de Música, Sérgio decidiu investir na carreira de docente. “O Toni falava para ele buscar algo em que ele fosse importante quando fosse mais velho”, conta Donizeti. Assim, concluiu o bacharelado em instrumento pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, e começou a lecionar trompete.

“O Sérgio faz parte de um grupo de pessoas que olharam para uma coisa e criaram aquilo. Ele foi o primeiro professor a criar um curso superior de trompete”, explica o professor Donizeti. “Mas era engraçado, pois quando ele sentia que tinha firmado espaço em um campo, ele ia para o próximo”, completa.

Assim, Sérgio escreveu o Método Elementar para Trompete, primeiro material didático para alunos principiantes na área; fez, ainda na década de 1980, a primeira vídeoaula produzida no Brasil sobre o instrumento e criou a primeira pós-graduação em trompete do país. “Ele tirou o trompete da ignorância, esse foi o maior legado dele”, acredita Donizeti. Começou a lecionar na ECA em 1989 e, ao passo em que construía sua carreira acadêmica, completou ainda mestrado, doutorado e livre-docência pela Escola.

Sérgio ficou ainda sete anos no ar pela Rádio USP, com um programa sobre trompete, além de lecionar na Escola Municipal de Música, de 1986 a 1988, e no Festival de Inverno de Campos do Jordão, em 1991 e 1992. Em janeiro de 2017, quando lecionava no Festival Música na Montanha, de Poços de Caldas, ele faleceu, deixando uma trajetória riquíssima e inúmeros admiradores.

Texto: Victória Martins

Fotos: Rodrigo Siqueira