ECA promove homenagem ao professor José Marques de Melo

Nesta semana, a ECA realizou uma homenagem ao professor José Marques de Melo na presença da família do pesquisador, em sessão solene da Congregação. Marques de Melo faleceu dia no 20 de junho deste ano.

Para homenageá-lo, estavam presentes os professores Cremilda Medina e José Luiz Proença, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), Margarida Maria Krohling Kunsch, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), Maria Immacolata Vassallo de Lopes, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), Brasilina Passarelli, do Departamento de Informação e Cultura (CBD) e vice-diretora, e Eduardo Monteiro, do Departamento de Música (CMU) e diretor da Escola.


Colegas de pesquisa e amigos de José Marques de Melo, professores da ECA homenagearam o pesquisador

Os professores foram convidados para contar algumas histórias que passaram junto com o professor e falar sobre a relevância de seus estudos e sua atuação na área da comunicação.

Cremilda Medina falou sobre a importância de Marques de Melo para os estudos no país e na América Latina. Ela fala que, nos anos 60 e 70, a voz da América Latina altera a “geopolítica internacional de leste-oeste, que era o tom dessa época, e põe em debate o conflito sul-norte”. É nesse contexto que o pesquisador tem grande liderança.

“Sinto muita falta dele porque eu acho que se há alguém que está aberto a compreensão do momento era ele”, disse a professora sênior. Segundo Cremilda Medina, ele não tinha vício extremista na cabeça, nem qualquer fechamento ideológico. “Hoje, nós precisávamos de pessoas como Zé Marques para abrir e oxigenar as nossas mentes para nós irmos ao mundo tentar compreender o que se passa e não ficar a julgar o mundo dos nossos gabinetes”.


Maria Silvia Briseno Marques de Melo, viúva do professor Marques de Melo

Dentre outros discursos que lembraram Marques de Melo, Maria Immacolata abordou a época em que o docente foi diretor da ECA. Ela citou a entrevista para o projeto ECA 50 anos, em que o professor afirma que, enquanto diretor da Escola, ele tinha como objetivo aproximar a Universidade da sociedade. Além disso, ela lembrou que Marques de Melo foi responsável pela criação do Centro de Estudos de Telenovela (CETVN) – na época, Núcleo de Pesquisa de Telenovela – que, hoje, é referência em todo o Brasil. Ele trouxe algo popular para a Universidade, segundo a professora.


A esposa e os filhos de Marques de Melo receberam a homenagem dos professores Eduardo Monteiro e Brasilina Passarelli

Após receber a homenagem com a família, Marcelo Briseno Marques de Melo, filho do pesquisador, agradeceu e confirmou o sentimento que o pai tinha pela história, pela comunicação e pela academia: “meu pai abriu mão do convívio familiar para fazer tudo isso”. E lembrou de algumas histórias. Dentre elas, expôs que, quando era pequeno, seu pai contava a história de um livro que tinha início na pré-história, “aquilo já enchia a minha imaginação, né, via os homens das cavernas, via dinossauro”. Anos depois, organizando a biblioteca de Marques de Melo com ele, apareceu esse livro da infância, “aí eu fui olhar exatamente o que era e era a história da comunicação”.

Ainda na sessão, a professora Margarida Kunsch comunicou o lançamento do livro 50 anos depois: a resistência da ECA-USP à ditadura militar, organizado por ela. No livro, há histórias de professores que foram perseguidos durante a ditadura, dentre eles, o próprio Marques de Melo.

 

Texto: Mirella Coelho
Fotos: Susana Sato