Orientando de professor do CRP ganha prêmio com pesquisa sobre tecnologia e povos indígenas

Thomaz Pedro desenvolve pesquisa de doutorado sobre o uso de tecnologias e mídias por indígenas do Alto Xingu

 

A ciência possui uma importância fundamental para a sociedade: é por meio dela que avanços indispensáveis em saúde, cultura, educação, dentre tantas outras áreas, podem ser conquistadas. É por meio dela também, que etnias mais distanciadas das grandes metrópoles, ou até esquecidas pelo restante da sociedade e pelo poder público podem ter alguma visibilidade. Esta visibilidade acaba trazendo à tona diversas questões que muitas vezes são ignoradas, além de desmistificar pensamentos e crenças equivocadas que não condizem com a realidade vivida por muitos povos.

É importante salientar que a ciência está relacionada à investigação e à definição de metodologias para que se alcance um determinado objetivo. Dentro dela, está também a investigação da sociedade, do ser humano e de todos os fatores que o impactam e o perpassam, como costumes, tecnologia, crenças e aspectos dos mais diferentes povos, bem como a maneira como todos esses elementos se relacionam. Este olhar está relacionado sobretudo a um saber antropológico.

Thomaz Pedro é um desses cientistas que se dedica aos estudos dos povos Kalapalo, Kuikuro, Matipu e Nahukuá, na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, com uma extensa pesquisa in loco sobre como as tecnologias influenciam a vida dessas etnias. Em setembro, Thomaz venceu a categoria Multidisciplinar do Prêmio Vídeo Pós-Graduação USP, que reconhece os melhores vídeos sobre as pesquisas realizadas por alunos de mestrado e doutorado da Universidade. Em um vídeo de três minutos, o doutorando mostra a relevância de sua pesquisa e o impacto dela na pós-graduação.

“As transformações que as sociedades indígenas vêm experimentando com a intensificação do contato do não-indígena têm várias facetas e várias consequências. Uma delas é a apropriação por parte desses povos indígenas de ferramentas de comunicação e de produção de conteúdo, principalmente audiovisual”, diz Thomaz. 

Indígena do Alto Xingu faz registro no celular de dança indígena. Foto: reprodução You Tube

O doutorando faz uma reflexão sobre um pensamento ainda muito comum: “se enganam as pessoas que partem de uma visão preconceituosa, que acham que isso é um elemento de perda de cultura, como por exemplo dizer que um indígena que usa celular deixou de ser indígena. Na verdade a apropriação da tecnologia por parte dos indígenas é uma estratégia para lidar com essa alteridade, como forma de criar reflexões sobre eles mesmos, como uma maneira de lutar pelos seus territórios e por demarcação de terras e como forma de registrar seus próprios modos de vida e suas culturas”, afirma.

A pesquisa está sendo realizada por meio do programa interdisciplinar Diversitas - Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), e está sendo orientada pelo professor Sérgio Bairon, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) da ECA.

Desde 2015, Thomaz ministra oficinas de audiovisual na região do Alto Xingu, onde existe uma produção e circulação muito grande de mídias produzidas por indígenas, o que, segundo ele, pode ser definido como uma “indigenização da modernidade”. 

Abaixo, assista ao vídeo na íntegra: