PUB tem inscrições abertas para projetos de docentes

A Pró-Reitoria de Graduação acaba de lançar o edital 2019/2020 do Programa Unificado de Bolsas (PUB). Os docentes têm até o dia 27 de maio para inscrever os projetos no sistema Juno. Já os estudantes de graduação poderão se inscrever nos projetos aprovados entre os dias 8 a 27 de julho. 

Antes da inscrição no PUB, o estudantes devem efetuar a sua inscrição no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE)Para os alunos que ainda não fazem parte do PAPFE, as inscrições acontecem de 20 de maio a 29 de junho. Os docentes escolherão os bolsistas do dia 29 de julho até 31 de agosto, para que a bolsa inicie no dia 1 de setembro.

Destinado aos estudantes de graduação, o PUB faz parte da política de permanência estudantil da Universidade de São Paulo. O objetivo do programa é integrar atividades de pesquisa científica e extensão ao corpo discente da universidade, contribuindo com a formação acadêmica. 

Projeto PUB na ECA

Alteridade na ECA

Gabriel Razo, estudante da licenciatura em Educomunicação, é bolsista PUB no projeto Alteridade na ECA: construindo ferramentas e espaços de discussão e convivência a partir de pressupostos Educomunicativos, orientado pela docente Cláudia Lago, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA). O projeto tem por principal objetivo promover a discussão sobre alteridade e diversidade em espaços que problematizam as questões em princípios da Educomunicação.

O bolsista conta que é uma experiência estimulante, pois trata-se de um trabalho que cria um espaço necessário de debate sobre assuntos relacionados a gênero, sexualidade, classe, feminismo, racismo, entre outros. Para o aluno, o projeto proporcionou uma base mais consolidada sobre diversidade, tanto no aspecto prático quanto no teórico. Suas principais funções são gerenciar as mídias sociais do grupo Diversidade na ECA como Facebook, Instagram e o site inédito, e organizar os eventos, por exemplo, o encontro Fazendo e Desfazendo Gênero na ECA.


Na foto, Gabriel Razo (terceiro à esquerda), estudante de educomunicação e bolsista do projeto PUB Alteridade na ECA, durante o evento Fazendo e Desfazendo Gênero na ECA. Foto: Divulgação/ Diversidade na ECA

“Uma das maiores contribuições em participar do projeto é ter contato com a pesquisa, além da cultura e extensão, que é o pilar principal. O tempo todo tenho contato próximo com pesquisadores e estudantes sobre diversidade nos eventos, o que me dá essa proximidade acadêmica”, conta Gabriel. O estudante acrescenta que com as ações do PUB, tem sido possível estabelecer pontes e conexões entre a graduação, pós-graduação e docência, ampliando a troca de ideias sobre diversidade e gênero.
 
Espaços Urbanos e Marginais – O Invisível

Aluna do Departamento de Artes Plásticas (CAP), Daniele Nascimento faz há dois anos - desde 2017 - seu projeto PUB Espaços Urbanos e Marginais – O Invisível, com orientação de Marco Francesco Buti, do mesmo departamento. A aluna conta que durante sua graduação sempre se interessou pelo tema e quando viu o projeto, logo foi dizer ao professor sobre sua identificação.

O projeto explora como pesquisa, uma abordagem artística de artistas considerados “marginais” e “periféricos”, especificamente na cidade de São Paulo. “Percebi na universidade que o conteúdo é sempre focado na Europa e nos Estados Unidos, claro que é importante, pela própria história da arte, mas senti muita falta de outras vertentes, linguagens e diversidade.”, conta Daniele. “Não estudamos nenhuma artista negra brasileira, então, senti essa falta durante os estudos”. A oportunidade de estudar artistas fora do padrão clássico, foi o que motivou a aluna.

Produções de gravuras relacionadas com o projeto e o estudo do genocídio da população negra,. Título: Invisíveis: gravura em metal sobre papel. Dimensão variável, 2017. Por Daniele Nascimento. Foto: Acervo pessoal

Durante a bolsa, ela coletou material da arte produzida em regiões periféricas, como por exemplo, batalhas de slam e saraus, auto organizadas pelos participantes. A partir dessa experiência, ela se propôs a descobrir qual era o foco dessa arte “marginal”, e notou que assuntos como política, feminismo e raça são pautas muito constantes. Além disso, ela apresentou gravuras em metal e xilogravuras inspiradas em sua pesquisa.

Em uma das visitas às batalhas de slam, Daniele foi noticiada que um dos jovens da região que havia sido morto de forma injustificável. Com pesquisas em jornais não tradicionais, achou mais situações iguais a essa, no caso, com adolescentes negros, e sua pesquisa foi ganhando um foco no genocídio da população negra, que como relatado por ela, estava morrendo arbitrariamente enquanto o “slam” era uma forma de expressão artística daquela realidade.

Sobre o contato que teve com a bolsa PUB, ela diz que conhecer artistas que têm diferentes artes, expressividades, linguagens, poesias,  danças, produções de qualidade, que geralmente são invisíveis, foi uma experiência única. Ela complementa: a realização deste projeto contribuiu e muito para minha forma de pensar visualmente, mas principalmente para o desenvolver discursivo e expressivo. Há tempos, a arte contribui para expressar ideias, levantar questionamentos, até mesmo trazer dúvidas, seja em um aspecto mais individual ou mais amplo.

Também foi produzida a gravura sobre papel como fruto da pesquisa. Sem Título: gravura sobre papel, 2017. Por Daniele Nascimento. Foto: Acervo pessoal.

Ela finaliza dizendo que o PUB é um importante apoio para a permanência estudantil na USP, pois também se baseia no critério socioeconômico, contribuindo com o aprendizado e auxiliando nas demandas financeiras aos alunos de renda baixa. “Foi muito importante para minha permanência e desenvolvimento na graduação, espero que a bolsa PUB nunca acabe”, diz Daniele.

Confira mais detalhes da bolsa PUB no edital.