Eugênio Bucci debate Comunicação Pública na série “O Estado da Arte”

O jornalista e professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) Eugênio Bucci foi o palestrante da sexta edição da série “O Estado da Arte”, organizada pelo  professor do Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD), Luiz Milanesi. “As palestras destes eventos têm como objetivo trazer o novo nos campos da informação e da comunicação, exatamente por isto o Eugênio (Bucci) foi escolhido. Seu trabalho de livre-docência, que foi publicado no livro O Estado de Narciso, aborda as nuances da comunicação pública e como ela é feita pelas instâncias de poder no Brasil”, disse Luiz Milanesi em sua abertura.  

               O professor Luiz Milanezi faz a abertura e as apresentações de Eugênio Bucci

Eugênio Bucci começou destacando a significação do termo comunicação pública, que pode ser entendida como assuntos de interesse público e da sociedade civil ou ainda aquelas nas quais ocorre dinheiro público. O professor defendeu seu ponto de vista: “A comunicação pública é  financiada, em parte ou totalmente, pelo dinheiro público. Assim, deve ter como foco principal o interesse da população civil, quesito básico em uma nação republicana”.

O Estado Brasileiro, em sua grande maioria, comunica-se com a sociedade através da publicidade comercial. Só que o objetivo desta comunicação é o enaltecimento da autoridade, e não uma orientação ou preocupação com a sociedade e questões públicas. “Eu falo da propaganda da Sabesp em 2014 no meu livro. Ela não era para orientar a população sobre a economia de água, mas para fortalecer o governo. Era algo como ‘A Sabesp é a maior empresa do mundo, o controle de água não poderia estar em melhores mãos. Venceremos a maior seca de todos os tempos’. Esse uso da comunicação pública para enaltecimentos de órgão é extremamente danoso”, refletiu Bucci.

                Os professores Eugênio Bucci e Luiz Milanesi duante o debate da série "O Estado da Arte"

A diferença substancial entre o privado e o público também foi levantada. Enquanto na tirania o Estado é opaco e o cidadão não tem direito à privacidade, na democracia o Estado é transparente e a vida privada não deve ser violada. E, conforme Bucci destacou, quanto mais transparência nos órgãos públicos melhor para o fortalecimento da democracia. “Não deve haver sigilo na informação pública. Não deve ser preciso nem pedir, apenas consultar informações de interesse da sociedade. Isto é democracia”, finalizou.