Fake news nas eleições de 2018 e o impacto de discursos de ódio são tema de novo livro do Obcom

A disseminação de notícias falsas trouxe a fragilização do processo eleitoral e o questionamento sobre a maneira como lidamos com a divulgação de informações nas redes sociais

 

É de conhecimento mundial o uso massivo de fake news durante as eleições no país em 2018. Recentemente, uma das redes sociais utilizadas para o disparo maciço de mensagens, o Whatsapp, assumiu que empresas contrataram envios em massa de mensagens falsas durante as últimas eleições, conforme esta reportagem da revista Exame. As fake news contribuíram, portanto, para uma eleição sem transparência e para a grande polarização entre os principais candidatos: Fernando Haddad (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PSL).

Nos últimos anos, as redes sociais passaram de plataformas digitais para aproximar pessoas a poderosos veículos para a distribuição massiva de informações. Enquanto uns acusam os propagadores de fake news de falta de compromisso com veracidade das informações, outros se defendem evocando o direito à liberdade de expressão.

Pensando neste e em outros cenários que vão além das eleições, o Observatório da Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom), lança o livro  Liberdade de Expressão: questões da atualidade, com organização da professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) Maria Cristina Castilho Costa e de Patrícia Blanco, presidente executiva do Instituto Palavra Aberta.

O livro conta com quinze artigos e traz um panorama sobre as fake news, era da desinformação, disseminação de discursos de ódio e seu impacto nos meios de comunicação.. Em seu artigo  Mentiras, discurso de ódio e desinformação violaram a liberdade de expressão nas eleições de 2018, o professor do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), Vinicius Romanini, fala sobre a ideia deturpada de liberdade de expressão: “(...) temos visto na atualidade uma distorção do conceito para justificar abusos no exercício deste direito. No ambiente de intensificação da disputa política entre extremos ideológicos, com o ressurgimento de grupos de extrema direita ocupando de maneira ostensiva a esfera pública de debate no ambiente digital, esses setores têm levantado a bandeira da liberdade de expressão para defender seus discursos racistas, machistas, homofóbicos, e até fascistas. Têm usado a liberdade de expressão para defender o discurso de ódio e a criminalização dos movimentos sociais”, afirma.

O uso de fake news nas eleições é o tema central do novo livro do Obcom. Foto: Tuddoweb

 

Em outro artigo do livro, Mais fake e menos news: resposta educativa às notícias falsas nas eleições de 2018, o jornalista Leonardo Sakamoto analisa uma forma educativa para o combate das fake news e também de que maneira a desinformação esteve tão presente nos últimos anos. Além de tratar da importância de se combater as fake news, Sakamoto estabelece algumas diferenciações, como entre sites que se passam por jornalísticos e outros que fazem paródias de veículos noticiosos, levando o público a não dar crédito para informações verdadeiras veiculadas pela imprensa. “Surgem outras propostas de combate à desinformação, incentivando uma postura mais crítica dos usuários perante publicações duvidosas. É o caso de plataformas de checagem de fatos que apresentam ao público provas que sustentam ou questionam suas informações. Entretanto, o público precisa entender o funcionamento dessas ferramentas de verificação e conseguir também compreender seu papel dentro das plataformas de redes sociais. Para isso, iniciativas didáticas podem funcionar de forma complementar para mostrar ao público os efeitos desse complexo cenário de desinformação e o que pode evitar a propagação de conteúdos falsos.”

 

O livro Liberdade de Expressão: Questões da atualidade está disponível no Portal de Livros Abertos da USP.

 

 

 

Texto: Samantha Nascimento da Silva