Funcionário do CTR ajuda alunos a modelar com resina

Gabriel Barreto é um dos funcionários do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR). Ele é cenotécnico do CTR há dez anos. “Auxilio os alunos a montar os cenários dos filmes deles, na criação e na montagem”, explica.

Ao entrar na sala de Cenografia, você pode encontrá-lo, por exemplo, moldando objetos de resina. Esse hobby que dura 15 anos, hoje, ajuda os alunos. “Eu modelo para os filmes, às vezes, mockup de alguma coisa que eles precisam”. Mockup é a réplica de um objeto que não pode ser usado na gravação, por exemplo, uma faca ou uma arma.


Gabriel Barreto ajuda alunos de audiovisual a produzir objetos e cenários para filmes. Foto: Malu Bianchi Avila

O funcionário explica o processo de modelagem: é feito um modelo com clay (massa de modelar). Esse objeto é usado como matriz para dar origem aos outros. Para esquentar a cera, Gabriel usa um forno elétrico e, algumas vezes, uma estufa que ele mesmo fez com isopor e uma lâmpada. Em seguida, é feito um molde de silicone usando o primeiro modelo. Com o molde pronto, o funcionário produz quantos objetos forem necessários de resina.

“Tem muita coisa que eu to aprendendo ainda. Porque modelar é prática. É igual desenhar, você tem que praticar bastante”, afirma, “mas é legal aprender como mexer com resina, silicone, catalisador, tinta...”

Gabriel começou com o desenho: “eu desenhava, meu irmão também desenhava, minha irmã é arquiteta, só que chegou uma hora em que desenho perdeu a graça”. Além do desinteresse, o cenotécnico começou a trabalhar em uma produtora onde aprendeu a modelar.

Depois de vir para a USP, em 2005, essa prática se tornou apenas um passatempo. “Quando eu era do CAC (Departamento de Artes Cênicas) não tinha muito espaço para modelar”, afirma. “Em 2008 abriu uma vaga no CTR e eu vim para cá. Aqui eles até me apoiam porque auxilia os alunos”.

Além dos alunos do CTR, Gabriel menciona que estudantes de outros institutos também o procuram para aprender a modelar. Ele conta que ficou conhecido através de um boca a boca. “É mais por hobby que os outros alunos vêm”, explica, “eu monto uma mesa aqui e ensino a pessoa. Não tem nada ligado a currículo”.


Bonecos usados para lip sync. Foto: Mirella Coelho

Neste ano, foi lançado um filme em stop motion de uma aluna do departamento, Cassandra Reis, que contou com grande participação de Gabriel para produzir os personagens e os cenários do curta Lé com Cré. O filme foi selecionado para os festivais Anima Mundi (Brasil), Anima Latina (Argentina) e Lanterna Mágica (Brasil).

“Foi legal o filme da Cassandra porque ela aprendeu o processo do zero. Ela já tinha o roteiro, coisa que já vinha das aulas, mas desde o cenário até a finalização, bastante coisa saiu daqui”, conta.