Seminário discute cultura e políticas públicas para a cidade de S. Paulo

O Departamento de Informação e Cultura (CBD)  promoveu, no dia 24/10,  o   seminário Informação, Cultura e Cidade.  Foram realizadas duas mesas de exposição e debates, que abordaram  a relação entre informação e cultura e a questão da informação nas politicas públicas municipais.

A primeira mesa de exposição contou com a presença dos professores  Claudinéli Moreira Ramos, Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo,  Lúcia Santaella e Marcus Bastos, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e Maria Rita Toledo, Universidade Federal de São Paulo, e com a  coordenação de Eugênio Bucci, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) e Superintendência de Comunicação Social da USP. 


(esq. p/ dir.) Claudinéli Moreira Ramos, Lúcia Santaella,Eugênio Bucci, Marcus Bastos, Maria Rita Toledo

Os expositores abordaram as relações entre informação e cultura na sociedade contemporânea. A professora Claudinéli explicou a multiplicidade de suportes e que estes são parte da informação, o que coloca em discussão questões como autoria e confiabilidade. Explicou também que existem  ferramentas pensadas para as pessoas participarem de forma controlada de decisões, mas que estas ferramentas não dão conta de países de grande contingente populacional, como o Brasil. Claudinéli defendeu que há de se planejar a gestão da informação.

A pesquisadora Lúcia Santaella comentou que as mutações no universo das linguagens trazem desafios e reflexões sobre a cultura. Também afirmou que "a cultura tem natureza híbrida e heteróclita, isso explica porque as formas de cultura anteriores (...) não desapareceram, mas ainda convivem com o digital".
O professor Marcus Bastos relatou sobre as redes como utopia e destopias, e a virada sônica como uma presença cada vez maior do som na sociedade contemporânea. Questionado sobre os hábitos de leitura, disse que, diante das novas tecnologias e suportes de informação, “o ler se tornou algo complexo, para o qual não estamos preparados".
Já o relato de Maria Rita Toledo abordou o fato da mesma organização da informação em dois lugares ao mesmo tempo e também em dois lugares em tempos diferentes. Destacou que, na organização das coleções, a classificação da cultura feita por bibliotecários e gestores da informação têm uma dimensão histórica que é fundamental.

Na sessão da tarde  a jornalista Mônica Waldvogel foi a moderadora  da mesa que teve como expositores Carlos Augusto Calil, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), Tadeu Chiarelli, professor do Departamento Artes Plásticas (CAP),  e  o secretário de cultura da cidade de Suzano, Suami Paula de Azevedo que deram continuidade as discussões sobre as políticas públicas  para a cidade de São Paulo.


(esq. p/ dir.) Carlos Augusto Calil, Mônica Waldvogel, Tadeu Chiarelli e Suami Paula de Azevedo

O professor e diretor  da Pinacoteca do Estado, Tadeu  Chiarelli, abordou um pouco sobre a centenária Instituição que dirige e apresentou a  proposta de uma exposição para março de 2017, que tem como objetivo  pensar a cidade através da arte.  A exposição intitulada Experiência Paulistana, trará um olhar diferenciado com artistas essencialmente paulistanos.  

Já o secretário de Suzano abordou as questões de cultura de massa e a  necessidade de formação de pessoas para trabalhar com cultura. “Os espaços culturais precisam de pessoas capacitadas”, diz o secretário.

O pioneirismo da cidade São Paulo ao se criar o primeiro embrião sobre um projeto de cultura, em 1935,  e dirigido por Mário de Andrade,  foi o início  da abordagem do professor Carlos Calil.  O professor relembrou, também,   ações como a   A Virada Cultural  hoje tradicional evento na cidade em que permite que a reocupação de alguns espaços públicos. “Cultura na cidade é urbanismo” define Calil.

 

fotos: Eduardo Peñuela/ECA