Mario Pireddu fala sobre a ética hacker na educação

 

Em seminário realizado no Departamento de Relações Públicas, Propaganda  e Turismo (CRP),  o professor Mario Pireddu, da Cátedra de Ciências Socias da Formação, da Università di Roma Tré, defendeu mudanças na educação e nas instituições de ensino que, segundo ele, estão desatualizadas e não conseguem mais entrar em contato com a população.

O seminário foi realizado pelo Centro de Pesquisa Atopos, coordenado pelo professor Massimo di Felice, do CRP, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências de Comunicação (PPGCOM) e a Comissão de Relações Internacionais (CRint).

Mario Pireddu é defensor da cultura hacker, que valoriza a abertura e descentralização de toda informação, e a tomada e transformação de ideias de acordo com suas necessidades. Na educação, segundo o professor, é preciso fazer algo nesse sentido da descentralização da informação , e adequar as práticas pedagógicas de acordo com as mudanças sofridas nos últimos anos: “As práticas educacionais são as mesmas há anos, e esse modelo está concebido de uma forma engessada, que hoje é anacrônica.”

O seminário também discutiu as revoluções tecnológicas que criaram novas plataformas para se produzir e disseminar o conhecimento. Segundo o professor, no entanto, tais mudanças não foram assimiladas pelas instituições de ensino, e as escolas ainda não conseguiram se desvincular da dominação do livro e abrir espaço para novas mídias: “O livro é milenar, importante, mas é um meio entre tantos outros. É preciso dar espaço a outros. Relegar o computador a uma sala na escola, por exemplo, é limitar a descoberta de novas mídias.”

Pireddu ainda defendeu que as instituições de ensino, por mais tradicionais que sejam, devam se adequar às mudanças que a sociedade sofreu ao longo dos anos. “Não é porque a instituição é secular – como as universidades – que ela não pode mudar. Ela pode continuar existindo, mas não como era no século XIX, quando tudo era diferente. É impossível impor uma velha forma para um novo conteúdo”, afirmou o professor.

O seminário marcou também a implantação de um convênio internacional entre a ECA e a Università di Roma Tre. A professora Margarida Kunsch, diretora da ECA, assinou a intenção de acordo, que será levada ao professor Gaetano Dominici, diretor da Univesità di Roma Tre.

 

Assista aqui um trecho da entrevista com Mario Pireddu

 

Texto: Giuliano Galli
Foto e vídeo: Eduardo Peñuela