Moção de repúdio do Conselho Técnico Administrativo da ECA

Em reunião realizada no dia 7 de março, o Conselho Técnico Administrativo da ECA aprovou moção de repúdio à manifestação realizada durante a última reunião da Congregação da unidade, no dia 28 de fevereiro.

Veja abaixo o texto na íntegra:

 

Moção de Repúdio

O Conselho Técnico Administrativo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em reunião realizada no dia 7 de março de 2018, no uso de suas atribuições e competências regimentais, vem a público externar veemente repúdio à invasão da Sala da Congregação da ECA, ocorrida no dia 28 de fevereiro de 2018, pelo senhor José Américo Ascêncio Dias, deputado estadual de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, acompanhado de um grupo de manifestantes, entre estudantes e pessoas estranhas à comunidade acadêmica.

No momento em que foi anunciado o término da reunião, José Américo Ascêncio Dias entrou na sala da Congregação e, em tom alto e ameaçador, acusou o diretor da ECA de recusar a sua participação na reunião do colegiado, alegando que, como parlamentar, era sua prerrogativa entrar em qualquer instância. José Américo Ascêncio Dias disse ainda que, por essa razão, o diretor da ECA seria intimado a depor na Assembleia Legislativa. Em seguida, o parlamentar proferiu ameaças aos membros da Congregação da ECA e graves ofensas ao seu diretor, a quem comparou com um notório colaborador das forças policiais à época da ditadura militar. Constrangidos, professores e servidores técnico-administrativos deixaram o local.

Cabe esclarecer que em nenhum momento anterior à invasão José Américo Ascêncio Dias buscou quaisquer informações ou esclarecimentos junto aos colegiados ou à direção da ECA. Também não solicitou, como protocolo de conduta pública, qualquer reunião com a administração da unidade, nem manifestou interesse prévio em participar da reunião da Congregação.

Diante do exposto e considerando que:

1 – ao invadir uma reunião de um órgão deliberativo da Universidade e, exaltado, proferir calúnias e ameaças aos seus integrantes, o deputado José Américo Ascêncio Dias agiu de forma abusiva e incompatível com quaisquer princípios éticos e de civilidade;

2 – são inadmissíveis quaisquer tentativas de intimidar e constranger pessoas, sobretudo, docentes em pleno exercício de suas atividades acadêmicas, alegando para tanto as prerrogativas do cargo público que ocupa;

3 – as Universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, que constituem condições indispensáveis ao livre debate das ideias;

O CTA da ECA lamenta e entende que é inaceitável que nossa Escola e a Universidade de São Paulo sejam feitas de palco de atos levianos como os do senhor deputado José Américo Ascêncio Dias, incompatíveis com as noções elementares de convivência democrática.

CTA/ECA/USP