O coração do curso de editoração

Editora laboratorial Com-Arte é oportunidade para os alunos vivenciarem a cadeia produtiva do livro

 

“A Com-Arte é o coração do curso”. É essa a definição dada pela professora Marisa Midori, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), para a editora laboratório fundada em 1972. Desde então, a Com-Arte já publicou mais de 300 livros e chegou a três finais do Prêmio Jabuti, ganhando pela primeira vez em 2018.

Composta por três docentes – Plínio Martins Filho, Thiago Mio Salla e a própria Marisa –, a editora é parte do projeto laboratorial do curso de Editoração, que dura três semestres a partir do segundo ano de graduação. 

Nos 18 meses de Com-Arte, os alunos aprendem por completo como funciona o processo de produção editorial. “Eles põem em prática o que aprenderam sobre a cadeia produtiva do livro: desde a escolha dos originais até o livro saindo da boca da gráfica”, comenta a professora.

A editora é dividida em três setores: administrativo, editorial e comercial. “A ideia é que os alunos atuem de forma transversal e que tenham, nos três semestres, uma vivência nesses setores.”

Assim como há a possibilidade de transitar pelas áreas, há também a chance de desenvolver mais especificamente uma parte da produção do livro. A docente conta que é muito comum que alunos se especializem numa determinada área e sigam em um dos três setores desenvolvendo essas habilidades. 

Em 2011, o curso de Editoração passou por uma reformulação do projeto pedagógico. A partir daí, o curso passou a ter três grandes áreas que são exploradas ao longo dos quatro anos de formação: o núcleo humanístico; a parte artística (arte, fotografia e design) e a prática em si.

Professora Marisa Midori, do CJE, durante o 1º Congresso de Ensino em Comunicações, Informação e Artes. Foto: Amanda Ferreira

 

A dinâmica da Com-Arte

No primeiro semestre do laboratório – ou “lab”, como é comumente chamado –, o enfoque é mais teórico, de modo que a passagem para a parte prática seja facilitada. As aulas nessa primeira parte “retomam vários conceitos e buscam fazer com que o aluno conheça o catálogo da Com-Arte”, explica a professora Marisa.

O conhecimento do catálogo é essencial, uma vez que a avaliação dos originais enviados depende disso. Se o aluno não sabe qual o perfil de livros publicados pela editora, dificilmente ele selecionará livros coerentes com o projeto editorial. 

Nos últimos anos, a Com-Arte tem feito coleções que buscam rememorar sua própria história. Exemplo disso são as coleções Memória tipográfica e Memória editorial. Mas, além disso, a editora também publica livros baseados em teses e dissertações.

Em sua apresentação no 1º Congresso de Ensino em Comunicações, Informação e Artes, a professora Marisa diz que esse trabalho de publicação de pesquisa é importante, uma vez que “livros não são teses e dissertações”. A elaboração de um projeto gráfico e os elementos editoriais enriquecem o trabalho e possibilitam que ele seja visto por mais pessoas. Desse modo, se cria uma nova janela e até mesmo uma nova linguagem para a divulgação. 

Nesse ponto, é importante o papel de cultura e extensão diretamente associado à Com-Arte. A escolha dos originais busca fugir de produções acadêmicas de professores do departamento e da ECA para que a editora não se torne um laboratório exclusivo para esse público. 

As disciplinas laboratoriais também aceitam alunos de outros cursos da USP, o que agrega ainda mais para a diversidade da experiência. É bem comum, diz a docente, que alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) frequentem as aulas. 

A participação de outras pessoas é positiva também pelo tamanho do curso de Editoração, o menor da USP: apenas 15 alunos ingressam anualmente. 

 

A Com-Arte no mercado editorial brasileiro

Em 2018, o livro Design de Capas do Livro Didático, de Didier Dias de Moraes, ganhou o Prêmio Jabuti. A premiação trouxe grande prestígio para a editora que, apesar de ser laboratorial, tem uma qualidade técnica que não deixa a desejar quando comparada com editoras maiores. 

“O mercado editorial se transformou muito. Os livros estão muito mais profissionais. Mesmo em editoras menores, não há mais tanta diferenciação [quanto à qualidade do livro]”, comenta a professora Marisa.

 

Texto: Maria Eduarda Nogueira