"O Estado de Narciso" aborda os perigos e as nuances da comunicação pública no Brasil

O professor Eugênio Bucci, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), lançará seu mais novo livro, O Estado de Narciso, no dia 14 de abril (próxima terça-feira) na ECA. Na data haverá um debate com os professores Margarida Maria Krohling kunsch, diretora da ECA, Luís Augusto Milanesi, do Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD), Mayra Rodrigues Gomes (CJE) e o jornalista Ivan Marsiglia.

A obra é resultado de uma longa pesquisa do professor e, tendo em vista o cenário da comunicação governamental atual, não poderia ser lançado em momento mais oportuno. “Este livro não tem uma motivação imediata, ele capta uma questão muito profunda na política brasileira, que é a informação pública oficial nas diferentes esferas de poder. Os recentes acontecimentos da crise hídrica em São Paulo e do vazamento de documentos internos da Secom (Secretaria de Comunicação Social) servem para exemplificar a forma de atuação da comunicação pública”, diz Bucci.
 

O próprio conceito de comunicação pública é bem elástico e gera debates entre pesquisadores da área. Alguns definem uma ONG ou uma publicidade com fins sociais  como comunicação pública. Para Bucci, o termo deve ser empregado quando a comunicação é financiada, em parte ou totalmente, com dinheiro público. “Nesses casos, não pode haver personalismo e influência políticas, a comunicação pública deve ser apartidária e impessoal. Ou seja, o Estado não poderia ser um anunciante comercial. Essa função deve ser de uma figura privada, do mercado”, define o professor.

Os prejuízos para a sociedade e a população, quando esse limite é ultrapassado, são terríveis e as consequências são duradouras e de longo alcance. “Todos os pesquisadores definem a noção de democracia a partir da alternância de poder, e esse pilar é o mais afetado nessas situações. Quando a comunicação pública se põe à edificação dos governantes é muito perigoso e temerário”, adverte.

Algumas alternativas, com base em experiências de outros países, como a da BBC de Londres, são analisadas e propostas no livro. “É necessário evitar o abuso do poder estatal, que se concretiza no Estado de Narcisismo discutido no livro. Esse debate é fundamental no atual conjuntura da democracia brasileira”, finaliza o autor.

Texto: Felipe Ruiz
Foto: Marcos Santos/USP Imagens