Programa de imersão coloca estudantes de Educomunicação em contato com prática profissional

“Pude perceber que a Educomunicação pode estar em outros espaços além da sala de aula formal, ela pode estar em ONG's e, além disso, nas áreas da saúde também”, esse é o relato de Marcelle Matias, aluna de Licenciatura em Educomunicação que participou do Programa de Imersões

O programa é uma iniciativa do professor Claudemir Viana, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA). A iniciativa consiste em uma espécie de pré-estágio: os alunos participam de uma experiência de 15 horas semestrais em instituições parceiras, exercendo atividades relacionadas à Educomunicação. “É uma oportunidade para alunos ingressantes vivenciarem a realidade da prática profissional em empresas, ONGs e entre outros”, diz o docente. 

Podem participar os alunos dos dois primeiros anos do curso, sendo o programa uma forma de oferecer ao aluno uma visão sobre o mercado de Educomunicação. Para Tainah Figueiredo, a imersão mudou sua percepção do curso “no sentido de conseguir perceber novas perspectivas através do que foi trocado com pessoas que já estão trabalhando na área há muito tempo.”


Claudemir Viana, do CCA, relata que a existência do site facilitou bastante seu trabalho para inscrever os alunos no programa

dois tipos de imersão possíveis: as internas e as externas. As internas se relacionam a projetos dentro da própria ECA, tal como o Projeto Redigir e o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE). Há uma aproximação também com os funcionários e os pós-graduandos. No semestre passado, por exemplo, foi oferecida uma oficina de vídeo, dada por um dos técnicos da ECA, assim como um curso de gestão de mídias sociais, ministrado por um mestrando. 
 
Já as imersões externas vêm de parcerias. O programa costuma buscar empresas e ONG’s dispostas a acolher os alunos, mas o inverso também acontece. Neste semestre, a organização Mulheres de Luz, que busca ajudar prostitutas no centro de São Paulo, é uma das novas parceiras. Outro projeto interessante foi o da Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo, que permitiu aos alunos terem contato com a intersecção entre arte e educomunicação.
 
“A gente tem um menu de ONGs que mostra bem a variedade de situações na sociedade em que o educomunicador pode atuar”, comenta o docente do CCA. As atuações variam conforme a instituição. Marcelle Matias atuou na ONG Viração Educomunicação, dentro do projeto Pra Brilhar, realizado em parceria com o Programa de DST/Aids da Prefeitura de São Paulo. O principal objetivo é combater a epidemia de HIV e Aids entre a juventude LGBT+ de SP. 
 
“Acredito que a imersão contribuiu para ampliar meu olhar sobre a Educomunicação, pois pude encontrar com o projeto Pra Brilhar práticas que defendiam a garantia da saúde e da cidadania”, relata. 
 
Já Tainah Figueiredo participou do projeto Geração Cidadã, que busca ajudar jovens em situação de vulnerabilidade social, promovendo debates sobre valores humanos, ética, cidadania e também os ajudando a desenvolver habilidades comunicacionais e profissionais. 
 
Seu trabalho consistia em acompanhar as reuniões de planejamento e balanço de atividades, mas também havia presença em sala de aula. “Foi fundamental pra mim ter estado em sala de aula e ter acompanhado como os educadores faziam a mediação dos encontros”, conta. 
 
Para ela, o período de 15 horas é pouco para conseguir acompanhar o processo, as evoluções e as dificuldades. A aluna relata que, em todas as imersões que participou, decidiu estender seu tempo de contribuição.
 
O professor Claudemir explica que o tempo determinado de 15 horas é pensado para se adequar às realidades do curso de Educomunicação. Por ser oferecido no período noturno, muitos dos alunos já trabalham e por isso, não conseguem se dedicar por muito mais tempo ao programa. Outro fator é o estágio exigido por disciplinas na Faculdade de Educação (FE), já que os alunos têm aulas tanto na ECA quanto na FE. 
 
O tempo menor de imersão também permite que os alunos participem de duas imersões ao mesmo tempo, uma interna e outra externa.
 
A média de alunos que completam o programa é em torno de oito por semestre. A participação é relevante não só pela aproximação com o mercado profissional, mas pelas oportunidades que surgem com o certificado oferecido. O professor Claudemir diz que alguns alunos já o procuraram para falar sobre a importância que a imersão teve, quando na busca por estágios e intercâmbios. Para obter o certificado, é preciso cumprir as 15 horas de dedicação e responder um formulário ao final, documentando a experiência.
 
Como metas futuras, o docente espera manter o ritmo de oportunidades, sempre renovando as parcerias e trazendo novas instituições para colaborarem com o programa. Ele comenta que a imersão também contribui para a qualidade do curso de Educomunicação, que foi reconhecido no final do ano passado pela Secretaria Estadual de Educação. 
 
Texto e foto: Maria Eduarda Nogueira
Foto do destaque: Pixabay