Projeto da Cidade do Conhecimento incentiva o uso de jogos eletrônicos e de tabuleiro na aprendizagem

Purposyum, Challengers of Justice (Propositório, Desafios da Justiça) é um projeto do núcleo de estudos Cidade do Conhecimento coordenado pelo professor Gilson Schwartz, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Escola Técnica Estadual (ETEC) Parque da Juventude. O objetivo é incentivar o uso de jogos eletrônicos e de tabuleiro no ensino e aprendizagem. 


Gilson Schwartz dá entrevista ao Bom Dia Brasil durante encontro na ETEC Parque da Juventude

A iniciativa teve início em 2017 quando a ONU realizou a chamada internacional United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), um concurso de jogos não-digitais educativos para comunidades com eletricidade e internet precárias que promovessem a consciência crítica sobre direitos humanos, racismo, porte de armas, guerras, violência de gênero, corrupção e uso de drogas. Foram selecionados 10 projetos de jogos no mundo todo, entre eles, o Purposyum, Challengers of Justice, que serão distribuídos mundialmente em escolas associadas à UNESCO em 2019.

Gilson Schwartz conta que desde, o início do desenvolvimento do jogo, foi feito o diálogo com as escolas públicas e particulares, com a ajuda do mediador Luigi Rizzon, estudante do CTR e bolsista da Cidade do Conhecimento. Ex-aluno da ETEC Parque da Juventude, Rizzon fez a conexão com a escola para que os alunos criassem um jogo de tabuleiro, que resultou na participação de 25 estudantes e quatro ideias diferentes de jogos. Além disso, estudantes da Faculdade de Direito e uma participante da Universidade Aberta à Terceira Idade, matriculados na disciplina Seminário Temático, também participaram do processo criativo do projeto.

Christian Alexsander Martins, aluno do Departamento de Artes Cênicas (CAC), foi um dos orientadores do projeto na ETEC. Ele relata que tem sido muito interessante e surpreendente; porém alguns contrastes, como a falta de autonomia na criação do jogo, atrapalhou um pouco no início. O problema foi resolvido após pesquisas e brainstorms, deixando os estudantes mais livres para desenvolver o projeto.

O jogo possui “nações que podem se unir para construir uma máquina juntos e salvarem a órbita dos planetas do sistema solar, impedindo que o sol consuma tudo, ou uma nação, separadamente da outra, pode juntar seus artefatos e maquinarias, criar uma outra máquina e simplesmente se safar, sozinha, dessa situação de destruição”. Por meio do jogo, a noção de comunidade universal e nacionalismo individual foram trabalhadas, e perguntas como “Salvar a todos ou salvar a mim mesmo? A minha nação é mais importante que as outras? Quais são os conflitos que perpetuam a rivalidade entre algumas nações?” surgiram para nortear o jogo de tabuleiro.


O aluno Christian Alexsander Martins e o professor Gilson Schwartz no processo de criação do jogo com os alunos da ETEC Parque da Juventude

“Veremos ao final o que é possível aprender, brincando, sobre justiça, igualdade, respeito e reconhecimento, estado de direito, tolerância, diversidade. Claramente os desafios são temas monstruosos. Mas brincar não é também aprender a matar monstros?”, diz Gilson. O docente ressalta ainda os obstáculos de integrar temas complexos em uma lógica não tão exata, e sim mais lúdica. Além disso, ressalta a dificuldade de transformar o sistema pedagógico tradicional para uma visão de plataformas criativas, diversificadas e empreendedoras, em que o objetivo seja ampliar horizontes ao invés de condicionar alunos.

A expectativa é que o projeto desempenhe impacto real e seja um instrumento inovador que dissemine a universalização da tolerância. Para a comunidade da USP, o desejo do núcleo de pesquisa é aproximar pessoas apaixonadas por games e jogos, assim, ampliando a rede de conhecimento e fomento. “Podemos desde já colocar no horizonte comum o desafio de criarmos jogos integrados a processos audiovisuais que transformem nossa sociedade, mobilizando para a justiça e a igualdade essa força de futuro que são nossas crianças e jovens”, completa o docente.

No último dia 17 de dezembro, o projeto foi tema de uma reportagem do jornal Bom Dia Brasil. Confira a matéria na íntegra aqui.

 

Texto: Letícia Passarinho
Fotos: Reprodução/TV Globo