Revista Signos de Consumo: como os algoritmos podem influenciar o consumo de música

Sistemas de Recomendação passam a ser intermediários culturais em plataformas com tanta diversidade de conteúdo

"Daily Mix", “Recomendado para você”, “Porque você gostou de…”: familiares para quem usa serviços de streaming como o Spotify, todas essas estratégias têm algo em comum. São baseadas em algoritmos de Sistemas de Recomendação (SR). Atualmente, as gigantes das redes fazem uso intensivo desse tipo de ferramenta para direcionar seus usuários e mantê-los cativos em suas plataformas. Em artigo para a revista Signos de Consumo, as pesquisadoras Rose Marie Santini e Debora Salles fizeram uma revisão sistemática da literatura sobre o tema e analisaram o impacto desses algoritmos para o consumo da música.

Para entender melhor os Sistemas de Recomendação, é preciso perceber que eles “não apenas ajudam a pesquisar, classificar e recuperar informações, mas também apresentam e representam o conteúdo de maneiras específicas que moldam as descobertas dos usuários”, como explicam as autoras. Eles funcionam seguindo lógicas de aprendizado de máquina e inteligência artificial, o que permite que analisem o gosto musical de um indivíduo baseado em músicas que ele escuta recorrentemente ou pula em uma playlist. 

Em um cenário de excesso de informação na Internet, os SR podem ser uma ótima ferramenta para direcionar o internauta que “diante da grande variedade de opções, [...] carece de informações e competência cultural suficiente para selecionar e tomar decisões sobre o  que  ouvir.”

Com isso, os SR acabam se tornando intermediários culturais, ou seja, “formadores de opinião que definem o critério de bom gosto em um determinado  mercado”. Este papel, em tempos mais analógicos, era desempenhado por críticos, jornalistas e colunistas especializados. Hoje, os próprios “recomendados” nas plataformas já começam a servir como influenciadores.

Ao fazer a revisão na literatura, as pesquisadoras procuraram “diagnosticar as consequências sociais dos algoritmos de recomendação de música como intermediários culturais online”, mapeando diferentes enfoques e hipóteses presentes na produção científica sobre o assunto. Santini e Salles ressaltam o caráter incipiente destes estudos, faltando ainda pesquisas empíricas mais rigorosas sobre o impacto dos algoritmos no comportamento e na formação do gosto dos ouvintes de música. É, portanto, uma área com um amplo campo de investigação por explorar. 

Foto: Pexels

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