Transformação digital exige inovações no curso de Biblioteconomia

Projeto desenvolvido por professor visitante de Madri em conjunto com docente do CBD analisa quais competências são atualmente exigidas do profissional da informação

 

As inovações digitais são ótimas ferramentas para otimização dos processos de armazenamento e distribuição da informação. Com isso, um constante esforço de atualização é cada vez mais exigido dos profissionais da área. Entender quais são as competências e habilidades a serem desenvolvidas nos perfis profissionais da Ciência da Informação é o trabalho realizado pelos professores Francisco Carlos Paletta, do Departamento de Informação e Cultura (CBD), e Jose Antonio Moreiro Gonzalez, professor visitante da Universidade Carlos III de Madri. 

Um dos objetivos é analisar também como se dá a formação desses profissionais. Ou seja, se as universidades e instituições de ensino estão adequadas a esse novo mercado, que exige cada vez mais a integração digital. Para o professor Jose Antonio, os cursos de Ciência da Informação passam por “um marco totalmente novo, que tem a ver com a transdisciplinaridade”.

A pesquisa é importante não apenas para registrar o que está acontecendo, mas para que seu resultado possa proporcionar mudanças práticas. “A pesquisa que estamos fazendo não nos serve de nada se depois não fizermos uma autocrítica. Os professores possuem responsabilidades nas universidades e vamos ver se a grade curricular está conforme o resultado da pesquisa”, comenta. 

O professor Jose Antonio também pontua que, quando se fala em transformação digital, as universidades parecem viver em diferentes realidades e épocas. Algumas são extremamente inovadoras e abertas, outras parecem estar ainda no século 19. “Não podemos continuar no mundo da informação como se estivéssemos há 30 anos atrás.”

A prova de que a atualização é necessária se dá justamente nas exigências do mercado. A pesquisa, intitulada “Competências e habilidades digitais na formação e nos perfis profissionais da Ciência da Informação no Brasil entre 2013 e 2018”, faz uma busca de vagas de emprego disponibilizadas na web, cujo título do anúncio seja bibliotecário, arquivista, cientista da informação, cientista de dados, entre outros. 

Há a busca tanto em editais, para vagas em bibliotecas públicas e universidades, por exemplo, quanto em plataformas de emprego, como a Catho. Através dessa busca e da observação dos requisitos, os pesquisadores conseguem determinar o que é necessário para uma boa formação.

 

Professor Jose Antonio Moreiro Gonzalez. Fonte: Faculdad de Comunicación

 

Laços com a ECA
 
Não é a primeira vez que o professor Jose Antonio passa pela Escola. No começo dos anos 90, ele fez seu pós-doutorado no Brasil, numa época em que se comunicar com a família exigia tempo de espera na fila e paciência. Desde então, o docente tem vindo à ECA em diversas oportunidades, graças também ao contato com o professor Paletta. “Os laços que temos entre as duas universidades se fortalece através da pesquisa”, comenta o professor de Madri. 

O principal objetivo da atual visita do professor Jose Antonio é a pesquisa financiada pela Fapesp. No entanto, o docente também ministrou algumas aulas especiais. “Somos uma universidade pública, então há também um compromisso com o ensino; é inevitável e necessário”, diz ele.