Performance mostra diferença entre som analógico e digital

O aluno de biblioteconomia Robson Ashtoffen, em performance apresentada na Biblioteca da ECA.

 

 

 

 

Uma mesma música foi tocada ora em um toca discos de vinil ora a partir de um computador.

 

 Veja o vídeo da apresentação.

Observação: como o vídeo foi feito em um formato digital, o som analógico não poderá ser percebido em toda a sua qualidade. Ainda assim, é possível perceber a diferença.

 

O aluno explicou as diferenças físicas entre as duas formas de reproduzir um áudio. Nenhuma forma, entretanto, supera o som ao vivo e ambas acabam perdendo qualidade. O vinil usa a onda como meio de gravação e reprodução do áudio. Já o meio digital armazena tudo pelo sistema binário, entre 0’s e 1’s. Porém, entre o  0 e  1  há infinitas variações. Por isso, Robson disse que “o áudio analógico não tem fim”.

 

 

Para Robson, há certa nostalgia em relação ao vinil. Sem dúvida a qualidade e a experiência musical do som analógico são melhores. Há quem aplique o conceito de “aura”, de Walter Benjamin, ao disco, culpando a “reprodutibilidade técnica” pela perda da aura. Por outro lado, o uso amplo e crescente do digital torna impossível não se adequar a esse formato. Além disso, a praticidade do digital compensa a qualidade do analógico.

 

O som, no meio digital, é compactado. Por isso, é mais fácil de ser armazenado, transportado, reproduzido e transmitido. Ganha em praticidade, mas perde em qualidade. Um vinil, se transformado integralmente em arquivo digital, ocuparia 8GB. Cada lado. Uma música em formato MP3 tem, em média, 3, 4 ou 5MB. Isso ocorre porque há graves e agudos, gravados no vinil, que o ouvido humano não percebe. Esses tons são simplesmente removidos, na hora de digitalizar o arquivo e o tamanho – e a qualidade – final é menor.

 

A sensação de se ouvir um ou outro tipo de áudio também é diferente. Apesar do ouvido humano não perceber os tons graves e agudos do vinil, o corpo percebe essas nuances. A espacialidade do áudio analógico é melhor, mais perceptível, corpórea. Por outro lado, para Robson, ouvir música digital é “mais um raciocínio lógico”. O fone de ouvido também mina a espacialidade da música, se concentrando apenas nos ouvidos.

 

Além dessa performance, a biblioteca também fez uma exposição de capas de discos de vinil. A iniciativa foi feita para divulgar o amplo acervo de vinil que a biblioteca possui. A programação fez parte da Semana de Biblioteconomia.

 

Por Karin Salomão