Livro do professor Ivan Teixeira recebe prêmio da ABL

O livro O Altar & o Trono: Dinâmica do Poder em O Alienista, de autoria do professor Ivan Teixeira, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), é o vencedor do Prêmio Senador José Ermírio de Moraes 2011, concedido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

 


"O Altar & o Trono", livro premiado pela ABL

 

 

A premiação é entregue anualmente a um autor brasileiro cuja obra, que pode ser de qualquer gênero, trouxe contribuição efetiva para a cultura do Brasil.
               
 “Eu nem pensava, porque é um prêmio muito difícil, concorrido”, conta Ivan. A premiação existe desde 1995 e foi instituída pela família Ermírio de Moraes e pela indústria Votorantim. “Recebi o resultado oficial na semana retrasada, através de uma carta do presidente da ABL”, diz. O valor estimado para o prêmio deste ano é de R$ 80 mil.

A obra de Ivan Teixeira analisa minuciosamente O Alienista, do escritor brasileiro Machado de Assis, investigando as relações da ficção deste autor com o discurso do jornalismo, editoração, política, ciência e religião no declínio do Segundo Reinado. “A arte dele é uma espécie de porta-voz de uma circunstância histórica e também de um projeto político renovador, mas é renovador dentro dos limites do século XIX brasileiro”, explica Ivan.
 
Para o professor, a visão de Machado de Assis como um gênio isolado, solitário, que viveu muito acima de seu tempo, é incorreta. “Talvez eu tenha sido o primeiro a ver que o Machado de Assis não era um escritor rebelde, tão singular. A singularidade dele está no talento anormal que ele tinha. O que o diferencia, inclusive, é uma adesão a projetos coletivos que têm relação com a mudança do estado político, cultural, partidário, intelectual do Brasil”. Ivan acredita que a crítica feita pelo autor à sociedade carioca é uma incorporação do viés crítico que ela tinha de si mesma. 
 
Com a análise de O Alienista feita em O Altar & o Trono, o professor espera ter elaborado uma poética que possa ser aplicada à obra de Machado de Assis, no geral. Apesar disso, Ivan pesquisou minuciosamente  a relação de Machado com o jornal elitista de público feminino que publicava os capítulos de O Alienista, no final do século XIX. “Ele participa de um processo fundamental que é a incorporação da mulher no debate cultural de seu tempo. Ao contrário do que se supunha até então, acredito que Machado não desdenhava das leitoras para as quais escrevia”, justifica.
 
 
 
Por Thaís Helena Amaral e Leonardo Maran