7 vezes em que as Comunicações e Artes resistiram à ditadura militar

Por meio da militância política ou da produção científica e artística, ecanos mostraram diferentes maneiras de enfrentar regimes autoritários

 

Há exatos 56 anos, no dia 31 de março de 1964, um golpe militar depôs o presidente eleito João Goulart e deu início a uma ditadura que só teria fim em 1985. Ao longo desse período, militares sucederam-se no poder, partidos de oposição tiveram sua existência cassada, a imprensa e manifestações artísticas foram censuradas e militantes políticos foram presos, torturados e assassinados. Muitas dessas vítimas permanecem desaparecidas até hoje.

Um dos crimes mais brutais cometidos durante a ditadura militar foi a tortura e o assassinato do jornalista, dramaturgo e professor da ECA Vladimir Herzog. Vinculado ao Partido Comunista Brasileiro, Vlado atuou no movimento de resistência ao regime e foi morto em 1975 nas instalações do DOI-CODI  em São Paulo. A morte do jornalista gerou comoção na imprensa de todo o mundo e impulsionou uma mobilização internacional em prol dos direitos humanos no Brasil e na América Latina. 

Assim como Herzog, outros professores, comunicadores, artistas, agentes culturais e estudantes trilharam diferentes caminhos de luta contra o autoritarismo. Parte dessa história foi resgatada no volume dedicado à ECA no relatório da Comissão da Verdade da USP, e segue sendo contada por meio da produção científica e artística da Escola. A seguir listamos 7 matérias que destacam como as comunicações e artes resistiram durante a ditadura militar: 

 

1. Relatório da Comissão da Verdade esclarece história e vida na ECA durante o regime militar

Com depoimentos de ex-alunos e professores, além de documentos e fotografias, relatório apresenta detalhes sobre a perseguição sofrida por docentes e estudantes ecanos durante o regime, além da luta pela democratização na Escola. Leia a matéria na íntegra. 

 

2. ECA relembra histórico de resistência à ditadura militar

Reportagem sobre evento realizado nos 80 anos da USP e que contou com depoimentos de professores, ex-professores e ex-alunos sobre o enfrentamento à ditadura militar na ECA e na Universidade.
 

3. Livro recorda resistência da ECA à ditadura militar

Organizado pela professora Margarida Maria Krohling Kunsch, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), o livro 50 anos depois: a resistência da ECA USP à ditadura militar reúne depoimentos de professores e ex-alunos perseguidos pela ditadura, concedidos no evento de mesmo nome realizado em 2014. Saiba mais no link

 

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Fotos de alunos da ECA em documentação do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Imagem faz parte do relatório da Comissão da Verdade da USP. 

 

4. Professor do CTR publica e-book sobre ditadura e audiovisual

Lançado em 2016, o e-book Ditaduras Revisitadas: cartografias, memórias e representações audiovisuais investiga a produção audiovisual de regimes totalitários. A publicação foi organizada por Eduardo Morettin, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), em parceria com os pesquisadores Denise Araújo, da Universidade Tuiuti do Paraná e Vitor Reia-Baptista, da Universidade de Algarve. Leia a matéria completa. 

 

5.  O que é ativismo institucional e como ele ajudou a arte brasileira durante a ditadura

Premiada pela Capes, a tese de doutorado de Fabrícia Cabral de Lira Jordão identificou e detalhou a atuação dos chamados ativistas institucionais: artistas e pensadores que atuavam dentro das estruturas do governo militar, ocupando órgãos culturais e articulando espaços para promoção da arte. Para ler na íntegra, clique no link.

 

6. Crítica de cinema era estratégia de resistência durante a ditadura

Com foco nas críticas de cinema do jornal Opinião, Margarida Adamatti investiga em sua tese de doutorado o papel desses textos e de seus autores na definição de uma linha editorial marcada pelo antagonismo ao regime militar. Acesse a matéria e saiba mais. 

 

7. Clássico dos quadrinhos latino-americanos, O Eternauta é alegoria sobre resistência ao autoritarismo

Douglas Pigozzi analisa em sua tese de doutorado as novelas gráficas O Eternauta I e II, do roteirista argentino Héctor Germán Oesterheld. As obras retratam a ascensão do regime militar na Argentina e na América Latina, com ênfase nos processos de resistência conduzidos pelas populações oprimidas. Leia a reportagem completa.