Com participação de professora da ECA, projeto Monitor da Violência ganha prêmio internacional de jornalismo de dados

O projeto Monitor da Violência, parceria entre o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, o G1 e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi vencedor do Data Journalism Awards na categoria The Microsoft award for public choice. O projeto teve participação de Daniela Osvald Ramos, professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) e pesquisadora do NEV, na articulação das parcerias até o lançamento.

Na categoria em que saiu vencedor, concorreram com o Monitor da Violência uma reportagem do The Guardian US, trabalhos de veículos do Canadá, da Argentina e de outros países. O projeto também competiu na categoria The Startup Lisboa award for investigation of the year, no qual a reportagem Easy Money, do canadense The Globe and Mail, foi vencedora.

Segundo Daniela, tudo começou com a ideia de Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do grupo, de realizar uma parceria entre academia e mercado, para discutir a área de segurança pública e a violência utilizando as ferramentas de linguagem do jornalismo.

O portal G1 chamou a atenção de Bruno devido a alta capacidade de produção e ele resolveu procurá-los para unir esforços em um projeto dedicado à redução de homicídios. “Com uma pergunta”, acrescenta o pesquisador, “será que o jornalismo consegue interferir nessa realidade ou não?”

A intenção era contar as histórias que estavam por trás dos números de assassinatos no país, “tentar entender o que esses dados significam”, conta Bruno. E os responsáveis pelo projeto no G1 sugeriram apurar uma semana de homicídios em todo o Brasil. Esse foi o lançamento do trabalho.


Lançamento de Monitor da Violência mapeou os homidcídios de uma uma semana no Brasil

“Esses são dados que a segurança pública no Brasil não produz de forma unificada. Todo governo tem um modelo diferente de produzir esses dados, então é muito difícil ter uma dimensão real”, explica Daniela. Além disso, o projeto acaba tendo como função colocar a violência como prioridade e expor as omissões dos governos. “Não adianta o governador da Bahia falar que não vai não passar dados, sendo que o governador de Sergipe passa”, lembra Bruno.

O papel do NEV no projeto, segundo o pesquisador, é realizar a análise dos dados e da nova cena da violência no Brasil. “Até os anos 2000, São Paulo e Rio de Janeiro eram os principais centros de violência.”, lembra. “Hoje, isso mudou. São Paulo é o estado menos violento do Brasil e os estados do Nordeste e no Norte são os mais violentos”.

O grupo de pesquisa também contribui para a qualificação do debate, uma vez que realiza pesquisas sobre a área de violência. “A ideia é qualificar o debate na imprensa a partir do CEPID”, afirma Daniela. Atualmente, o NEV é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), com financiamento da FAPESP. Por isso, tem como função trabalhar para a difusão e transferência dos conhecimentos.

Agora, o Monitor da Violência está em uma fase mensal de levantamentos de dados de homicídios. Espera-se também contribuir para o debate eleitoral: “para entender o que cada candidato tem de concreto para segurança pública”, conclui Daniela.