Curta de ex-alunos recebe menção honrosa no Short of The Year e avança no circuito internacional de festivais

Batalha é um retrato da polarização política no Brasil, gravado no dia do segundo turno das eleições de 2018

 

Co-dirigido por três ex-alunos do Audiovisual do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), Clara Lazarim, Guilherme César e Rica Saito, e pelo repórter e documentarista Caio Castor, o curta metragem Batalha acaba de conquistar uma menção honrosa no importante prêmio Short of The Year – Autumn. Além da honraria, o filme recebe inscrição em outros 50 festivais internacionais, com todos os custos e trâmites oferecidos pela entidade organizadora da premiação, a Promofest. O documentário já conta com destacadas passagens em festivais como o de Amsterdam IDFA (Holanda), o de Göteborg (Suécia), o de Leiden (Holanda) – onde também conquistou uma Menção Especial , pelo ZagrebDox (Croácia), e pela mostra competitiva de curtas do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (México). Rejeitado pelas curadorias do É Tudo Verdade e do Curta Kinoforum no ano passado, Batalha segue inédito no Brasil. Com a visibilidade conquistada no exterior, seus realizadores buscam uma distribuidora interessada em disponibilizá-lo no país.

 

Em uma cena, o Brasil dividido

Batalha é composto apenas de um único longo plano-sequência gravado no Pátio do Colégio e Universidade Mackenzie durante o dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2018. O documentário é fruto do processo de pesquisa e criação do longa-metragem Verde e Amarelo, um projeto documental ainda em desenvolvimento cujo tema é a ascensão da extrema direita no Brasil. O projeto foi concebido por Caio Castor – colaborador de veículos de imprensa como El País Brasil, The Intercept Brasil, Le Monde Diplomatique Brasil, Agência Pública e Ponte Jornalismo, entre outros, e produzido por Lazarim, César e Saito.

Ao gravarem o longa-metragem no dia das eleições em colégios eleitorais de perfis socioeconômicos bem diferentes, a equipe acabou registrando um depoimento que logo evoluiu para um bate-boca entre eleitores de Haddad e Bolsonaro. Sem edições ou cortes do bate-boca, os produtores de Batalha apostaram em um curta autônomo que retratasse de maneira contundente a polarização política do país nos últimos anos. Segundo Rica Saito, “todo o conflito que cada brasileiro havia vivido ao longo dos últimos meses, fosse na mesa de jantar com sua família, fosse na fila do banco, estava ali sintetizado em 15 minutos corridos”. Batalha é fruto de uma arriscada decisão em manter um único plano que transmitisse sinceridade.

 

O curta-metragam Batalha retrata como a política brasileira atual é mais estranha do que a ficção. Foto: Divulgação. 

 

Premiação viabiliza inserção de filmes independentes no circuito de festivais 

Apesar de tratar específicamente da conjuntura política do Brasil atual, o documentário tem encontrado boa acolhida junto ao público estrangeiro. Espera-se que sua repercussão aumente com a premiação concedida pelo Short of The Year – Autumn. Como explica Saito: “Para além da alegria de ter o nosso trabalho reconhecido, esse é um festival que temos que divulgar mesmo porque o prêmio é um oásis para quem não tem recursos para distribuir seu filme em editais”. A falta de recursos para distribuição de filmes independentes costuma ser um obstáculo que elitiza o circuito de festivais.

Promofest, entidade responsável pelo Short of The Year, é uma distribuidora espanhola que atua na promoção e representação de filmes independentes em festivais de cinema de todo o mundo desde 1992. A cada temporada, 50 curtas-metragens são selecionados e os premiados ganham 250 inscrições em outros festivais, além de concorrer ao prêmio máximo do Short of The Year, que é a inscrição em 1000 festivais de cinema.