Com direção de professor de Artes Cênicas, peça estreia no Sesc Pompeia

O espetáculo aborda o universo da memória por meio de uma conexão afetiva com os espectadores 

 

Com estreia marcada para o dia 6 de fevereiro, às 21h30, no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, a peça Vagaluz segue em temporada até 1º de março, com sessões às quintas, sextas e sábados, às 21h30, e aos domingos, às 18h30. Os ingressos custam de R$ 9,00 a R$ 30,00.

Em tempos tão imediatistas, que valorizam o descartável e o instantâneo, Vagaluz propõe um mergulho no universo da memória. Na montagem, um casal de atores (Lídia Engelberg e Edgar Campos) relembra fragmentos de vida que ora parecem ter sido vividos, ora ouvidos de quem viveu ou até mesmo memórias inventadas. Essas memórias ganham a cena, assemelhando-se aos nossos atos de pensar e sentir, que surgem de forma aleatória, muitas vezes por meio de conexões não-lineares de espaço-tempo, como reverberações do que acontece dentro e fora de nós.

“São pequenos pedaços de memórias que talvez nem fossem narradas, mas que por algum motivo estavam guardadas. Essa lembrança comum faz as pessoas (que assistem a peça) invocarem e passearem por suas próprias recordações”, conta Lídia. Assim, o espectador complementa a dramaturgia criada em parceria pelos atores e pelo diretor Antônio Januzelli, o Janô, professor aposentado do departamento de Artes Cênicas (CAC). Em mais um delicado e minucioso trabalho de direção, Janô privilegia a atuação, por meio de um ator e uma atriz no jogo da cena, em busca de uma memória original. É o homem-ator e a mulher-atriz desfazendo-se daquilo que não é necessário, para chegar à sua essência cênica – a memória original de si.

O processo de investigação da memória e do imaginário são temas do espetáculo Vagaluz. Foto: Giorgio D´Onofrio. 

Portanto, todos os elementos em Vagaluz estão a serviço da atuação: um cenário minimalista, composto apenas por duas cadeiras, um figurino básico que remete aos trajes de ensaio e uma luz simples só para acolher as memórias e ambientá-las. Os intérpretes alternam-se em solos distintos, mantendo-se sempre conectados e cúmplices na composição do imaginário.

A construção desse trabalho foi instigada por uma perda na família dos atores, seguida pelo questionamento das crianças que só ouviam como explicação o silêncio. A quebra cada vez mais constante do silêncio trouxe o luto e então o escavar de dores e, finalmente, a procura daquilo que permanece: as memórias. “Daí, surgiu uma ‘Vagaluz’ a nos guiar”, diz a atriz.

“Minha parceria com os atores é sempre total e contínua, até a última apresentação. Em ‘Vagaluz’, mergulhamos nas nossas lembranças abertamente, de maneira que começamos a bordar um cordão umbilical que nos tocava”, conta Janô.

 

Serviço:

Vagaluz

Data: de 6 de fevereiro a 1º de março

Horário: de quinta a sábado, às 21h30, e aos domingos, às 18h30

Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 9 (credencial plena)

Local: Sesc Pompeia - R. Clelia, 93, Água Branca, São Paulo - SP

Classificação: 14 anos

 

Texto: Samantha Nascimento