"A transparência vai definir o comportamento ético do futuro"

Inaugurando a IBERCOM 2015 professor Derrick de Kerckhove faz conferência de abertura

A cerimônia solene de abertura do IBERCOM 2015 precedeu uma extremamente aguardada e prestigiada conferência inaugural de Derrick de Kerckhove, professor da Universidade de Toronto e da Universidade de Nápoles Federico II. A conferência inaugural  inicial tinha como linha delineadora o mote Rumo a uma cultura de transparência. O acadêmico também é conhecido por seu trabalho de assistência e coautoria com Marshall McLuhan.

 Em sua exposição, De Kerckhove  destacou a enorme relevância do Big Data - as informações que são armazenadas através das mídias sociais e meios eletrônicos - como uma grande mudança paradigmática da civilização e como definidor de uma nova configuração social.  De acordo com o pesquisador, “o novo totemismo coloca a tecnologia como caráter definidor da humanidade. Essa troca íntima e direta entre a mente e a esfera de dados terá, ou já tem, um impacto sobre a liberdade mental e social de cada pessoa. Pode-se destruí-la tão bem como aumentá-la. Precisamos saber o que está acontecendo”.

Na visão de Derrick de Kerckhove, a internet e o Big Data estão abrindo as informações das pessoas e tirando sua liberdade individual de modo que se pode analisar tais indivíduos para se obter vantagens econômicas, sociais e políticas. Ele diz que há uma inversão entre os âmbitos público e privado e que há um retorno da cultura da vergonha, de modo que a reputação é quase uma moeda da sociedade contemporânea. “É preciso identificar o quão ruim nossa situação está e quão pior pode ficar. Transparência traz o problema de que, enquanto nós somos investigados pelas informações, ocorre uma descontextualização espacial, social e temporal. Há uma completa descentralização da informação relacionada as pessoas. Não há contexto.”

O acadêmico Derrick de Kerckhove, que em todo o tempo se mostrou muito mais como um cidadão global, considera a “transparência” como algo já definitivo na sociedade atual. Ele declarou:  “Precisamos parar de nos lamentar e aprender a explorar as consequências da transparência. Temos uma nova responsabilidade porque agora podemos responder em escala global.”

Para finalizar, Derrick de Kerckhove ainda questionou o porquê de o público em geral não poder se aproveitar da transparência e, ao mesmo tempo, ter uma proteção e empoderamento em relação a ela. Segundo ele, é necessário “educar as pessoas para desenvolverem seus perfis digitais no sentido de se inserirem no novo contexto social. A transparência vai definir o comportamento ético do futuro”.

 

Texto: Gustavo Pessutti
Foto: Eduardo Peñuela