Alunos de Turismo apresentam Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico em Bananal

Um grupo de estudantes do 4º ano do curso de Turismo, do Departamento de Relações Públicas, Publicidade e Turismo (CRP), esteve no município de Bananal (no Vale do Paraíba), no último dia 10 de junho, para apresentar um Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico para a cidade, perante representantes da iniciativa privada, do poder público e de ONGs da comunidade, bem como de moradores do local e do entorno. A ação integra as atividades regulares da disciplina Planejamento e Organização do Turismo, sob orientação da professora Clarissa Gagliardi.

Comunidade de Bananal e alunos do curso de Turismo discutem as diretrizes do plano de desenvolvimento turístico.
Foto: Pedro Rocha

Visando equilibrar extensão e ensino, segundo Karina Solha, coordenadora do curso, a disciplina, tem, há mais de 20 anos, estimulado os alunos a pensarem as estruturas turísticas de municípios do Estado de São Paulo através do desenvolvimento e aplicação dos Planos Diretores, que levam as cidades a “construir essa atividade de maneira profissional” e consciente, refletindo sobre a importância e o papel do turismo no fortalecimento da comunidade.

De acordo com Clarissa Gagliardi, o projeto é benéfico tanto para os alunos quanto para o município. Para os primeiros é uma “vivência fundamental”, por ser a oportunidade de colocarem em prática os conhecimentos adquiridos durante o curso, especialmente por atuarem perante uma realidade concreta e com total protagonismo. Já para os segundos, pode representar a possibilidade de municípios criarem um plano de desenvolvimento que se articule às suas necessidades, algo especialmente importante para cidades consideradas estâncias turísticas, ou seja, aquelas que recebem uma verba do governo do Estado para a aplicação das atividades do segmento. “É um projeto de ensino, principalmente”, explica. “Mas nós acabamos atingindo resultados de extensão, porque nós vamos ao município e deixamos um legado”.  

O processo

Com duração aproximada de um ano e meio, o projeto inicia-se em agosto de cada ano, quando os alunos  do 3º ano, matriculados em Planejamento e Organização do Turismo I, fazem um levantamento completo da infraestrutura turística da cidade, com o recolhimento de informações sobre “demografia, história, cultura, meio ambiente”, bem como de “equipamentos, serviços, papel da atividade como geradora de renda e do perfil de demanda dos turistas”, entre outros aspectos, conforme explicam Clarissa e Karina, tanto através de documentos como com a visitas e entrevistas com a comunidade.

Alunos responsáveis pelo projeto na cidade de Bananal, durante a primeira fase, de pesquisas e entrevistas. Foto: Letícia Machado

No semestre seguinte, os alunos ficam responsáveis por concluir esta captação de informações e direcioná-la para a criação do plano de desenvolvimento turístico. Quando esta fase é concluída, eles seguem para uma audiência pública perante toda a comunidade, quando as propostas são validadas, fato que se deu no dia 10. Além da apresentação, o plano de ação fica disponível na internet durante uma semana, para que o município possa adicionar sugestões e elencar suas prioridades; ao fim do processo participativo, a cidade fica com uma via do plano e pode decidir ou não colocá-lo em prática. A ideia dessa fase é, segundo Karina, “orientar o município a promover ações para o desenvolvimento turístico”.

No terceiro semestre, enfim, os alunos selecionam de cinco a seis grandes prioridades e partem delas para elaborar um projeto de aplicação efetiva do plano de desenvolvimento, no sentido de ajudar o município a operacionalizar aquilo que foi proposto, já que, de acordo com Clarissa, “às vezes, só com o plano não dá para colocar em prática”, pois a cidade depende das definições de valores, dos responsáveis e do modo como as atividades turísticas serão realizadas.

Projeto Bananal

Segundo as professoras, a atuação em Bananal provém da tentativa, iniciada em 2014, de se trabalhar e adquirir um conhecimento completo de uma única região. Assim, nessa primeira fase, os alunos estão fechando acordos com municípios do chamado “Vale Histórico”, nome dado à região turística do Vale do Paraíba, localizado na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com Karina, as cidades da região tendiam a encarar a atividade turística “de maneira difusa e com pouca reflexão sobre sua importância” até o início do projeto. A primeira cidade com a qual o projeto trabalhou foi São José do Barreiro, que não só aceitou o Plano Diretor como transformou-o em lei, visando orientar a atividade turística da comunidade.

O plano de desenvolvimento turístico para Bananal pretende incorporar os patrimônios materiais e imateriais da cidade. Foto: Letícia Machado

Bananal é a segunda cidade do Vale a participar do projeto. Nesta atuação, os alunos e a docente visaram um diálogo sobre a presença da Serra da Bocaina nos entornos do município e dos patrimônios materiais e imateriais produzidos e mantidos na cidade, de modo a pensar no Plano Diretor a ser proposto. Segundo Karina, foram levantadas ações acerca de “uma qualificação do centro e dos recursos humanos”, bem como de uma prática mais articulada na organização dos eventos da comunidade e de um investimento na “melhoria da política de turismo municipal”, dentre muitos outros pontos.

Com a apresentação do Plano Diretor, os alunos irão, agora, desenvolver os projetos efetivos. Porém, com o início do segundo semestre, Clarissa afirma que já começam a ser planejadas as atuações no município de Silveiras. Além destes, o projeto trabalhará ainda com outras duas cidades no Vale do Paraíba em anos vindouros, Areias e Arapeí.  

Texto: Victória Martins
Foto de destaque: Letícia Machado