Núcleo de pesquisa oferece tecnologia para educação e comunicação

Em 1989, nasceu a Escola do Futuro. O nome pode confundir, trata-se, na verdade, de um núcleo de pesquisa, ligado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP. 
 
  Escola do Futuro
 
 
O projeto foi idealizado pelo professor Fredric Michael Litto, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), inicialmente sob o nome Laboratório de Tecnologias de Comunicação. Ele foi o coordenador científico até 2006, quando se aposentou. Em 1993, o projeto foi vinculado à Pró-Reitoria.
 
Desde o início, o projeto teve como meta integrar diferentes áreas. Assim, há docentes da Escola de Comunicações e Artes (ECA,) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da  Faculdade de Educação (FE), da Escola Politécnica (POLI ) e de outros institutos. “Estamos há 20 anos trabalhando na ideia de que projetos que utilizam a  tecnologia em comunicação na educação e na informação precisam de equipes multidisciplinares”, explica Brasilina Passarelli, professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD), atual coordenadora científica.
 
O foco do projeto é unir tecnologia, educação e comunicação. Desde o início, apesar de não haver uso da internet , já havia essa ideia. A partir de 1995, com a Web entrando no Brasil, a Escola do Futuro foi pioneira em criar um projeto de educação para escolas com utilização da Web, o Mutirão Digital. Foi a primeira tentativa de buscar que os provedores proporcionassem acesso gratuito às escolas públicas.
 
Hoje são cerca de 80 pesquisadores, com diferentes formações, em diferentes estágios, desde bolsistas de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e  pós-doc.
 
 
Projetos do núcleo

Há duas linhas de pesquisa na Escola do Futuro:   o Comunidades Virtuais de Aprendizagem e de Prática e o Observatório da Cultura Digital.
 
Um dos projetos em andamento da linha de pesquisa Comunidades Virtuais de Aprendizagem e de Prática é o Acessa SP. É um projeto de inclusão digital do Governo do Estado de São Paulo. A Escola do Futuro é responsável pela parte do ambiente virtual e das estratégias de acesso.
 
Outro projeto em andamento é o Entre Meios, realizado com a Prefeitura de São Bernardo do Campo. Ele orienta professores de rede pública de São Bernardo a usarem tecnologia em sala de aula, mas produzindo seu próprio conteúdo.
 
“A gente não faz educação à distância com conteúdo que o professor baixa. A gente quer que eles sejam atores. É uma proposta diferenciada. Capacita professores para fazer vídeos, material multimídia, mas eles é que postam o conteúdo”, explica Brasilina.
 
O Acessa SP e o Entre Meios fazem parte dos projetos de pesquisação. São convênios com instituições, como o governo do estado ou prefeituras, a partir dos quais são montadas equipes, de acordo com os perfis que são necessários para a dinâmica de cada projeto.
 
O Observatório da Cultura Digital  tem um caráter diferente da outra linha de pesquisa. No Observatório, é realizada a parte de pesquisa empírica. Ele é formado basicamente pelos orientandos e tem como foco a cibercultura e pesquisa a partir de dados já existentes.
 
 
Integração internacional
 
Recentemente, o projeto iniciou a integração com universidades de Portugal. Começou quando a professora Brasilina teve contato com o professor Armando Malheiro, da Universidade do Porto. A partir daí, iniciaram-se as discussões a respeito de um convênio.
 
Em 2008, Brasilina foi convidada a fazer palestras em Portugal. Após as palestras, surgiu a proposta de uma integração com as outras universidades que integram o Cetac Media: Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra e Universidade do Minho, além da Universidade do Porto. Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (Cetac) é um laboratório interdisciplinar de pesquisa, que trabalha também com o impacto das novas tecnologias em processos de comunicação e na ciências da informação.
 
Foi então estabelecido o convênio de cooperação com a Escola do Futuro. São previstas pesquisas em conjunto e publicações. A primeira publicação foi o livro Atores em rede -  olhares luso-brasileiros, organizadopelos professores  Brasilina e José Azevedo. O convênio prevê também projetos de pesquisação, trânsito de pós-graduandos e docentes e cooperação em programas de pós-graduação.
 

 
 
Planos futuros

A Escola do Futuro tem muitos planos. Um deles é a publicação de mais um livro, seguindo a mesma linha do que já foi publicado,  com lançamento previsto para meados de 2012.
 
Outra meta da Escola do Futuro é envolver mais os professores da ECA, tanto na elaboração do próximo livro, quanto nos projetos. E envolver mais os mestrandos interessados em trabalhar com a pesquisa do laboratório, além de mais bolsistas de iniciação.
 
O núcleo pretende buscar novos fundos de pesquisa, sobretudo europeus, não somente os brasileiros. E espera também aumentar a integração com outros países. “Para realmente a gente começar a fazer uma internacionalização mais pesada”, diz Brasilina. Ela discute a importância da produção conjunta e de conhecer as dificuldades dos outros países. O núcleo pretende aprofundar a relação internacional e estimular intercâmbios, sobretudo de graduação.
 
Saiba mais sobre a Escola do Futuro no site.
 

por Maria Carolina Gonçalves