Ismail Xavier é tema de jornada na Universidade de Sorbonne

O professor Ismail Xavier, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), foi tema de uma jornada de estudos na França.

 

            

 

Professor Ismail Xavier

 

Intitulada Carte Blanche à Ismail Xavier -  L’allégorie  au cinéma: entre l’historie et la théorie, a jornada aconteceu no  Centro de Pesquisa em Estética do Cinema e das Imagens (CRECI),  na Université de Sorbonne Paris III, no dia 9 de abril.

Além do convite para a composição da jornada de estudos, também foi convidado a ministrar o Seminário de Doutorado na mesma universidade, que discute a relação entre a alegoria e a figuração da história tal como esta relação se desenvolveu em filmes clássicos dos anos 1920, e como foi retomada por cineastas modernos e contemporâneos.                 

Ismail é professor de teoria e história do cinema na USP, vice-presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira, diretor da coleção Cinema, teatro e modernidade, da Editora Cosac Naify, professor convidado das Universidades de Nova York (1995), de Chicago (2008) e de La Plata (2009), além de autor de dezenas de livros.
 
Carte Blanche
 
Durante a palestra de abertura da jornada Carte Blanche, Ismail tomou o trabalho de Glauber Rocha como foco a partir do qual foram discutidas diferentes modalidades de figuração da história e da política. Na mesa-redonda que discutiu seu trabalho, em parte se retomou o tema central, em parte se ampliou a discussão para outras temáticas presentes em seus textos. Por exemplo, a questão de método na análise de filmes narrativos ou filmes experimentais, a teoria dos gêneros dramáticos no cinema (em especial, o caso do melodrama), a leitura de filmes de Hitchcock como alegorias do cinema, entre outros.
 
Posteriormente, no diálogo com novos pesquisadores, outras questões foram abordadas. Com Laura Mulvey, crítica cinematográfica e professora de filmologia e estudos de mídias na Universidade de Londres, discutiu-se a experiência do espectador diante das novas tecnologias e a possibilidade de interação que o DVD proporciona. Já com Robert Stam, professor transdisciplinar da Universidade de Nova York e autor de quinze livros sobre cinema, literatura e estudos culturais, o diálogo girou em torno do cinema latino-americano e as variações na composição da alegoria em narrativas.  Com Nicole Brenez, professora de estudos do cinema na França e curadora das sessões de filmes de vanguarda da Cinemateca Francesa, a relação entre o cinema industrial, o moderno e o experimental foi o cerne do debate.
 
“A natureza da linguagem é tal que não há, quase sempre, signos transparentes de uma intenção alegórica que sejam de fácil reconhecimento. A polissemia e a ambiguidade da linguagem deixam evidente que a suposta cadeia de intenção-enunciação-interpretação é complexa, e muitas vezes ilusória”, diz Ismail sobre a questão da alegoria. “Pode-se dizer que nos casos que interessam é ilusória, exigindo mediações e códigos específicos para a leitura. Este foi um motivo recorrente na Jornada quando a discussão se concentrou na alegoria, núcleo central dos debates, mas não exclusivo”.
 
Glauber Rocha, expressão alegórica
 
O conjunto da jornada trouxe ao debate outros cineastas, mas Ismail escolheu para sua palestra de abertura Glauber Rocha. “Na minha palestra escolhi Glauber porque ele é um dos mais ricos exemplos de expressão alegórica na modernidade”.
 
Glauber inventou um estilo feito de justaposições e descontinuidades, sua encenação produz um efeito de estranhamento. Vista desta forma, a alegoria é uma forma de evidenciar o trabalho de composição do discurso, a espessura própria de uma poética. No cinema de Glauber tudo é desequilíbrio, jogo de forças, dinamismo a requerer uma figuração dramática à altura e um estilo de câmera e montagem capaz de absorver as tensões aí vividas, as dissonâncias próprias.
 
“Em geral, as alegorias nascem de controvérsias, conflitos de interpretação que constituem um terreno em que tradições e valores contrários se confrontam ou se reconciliam, lutam por um ideal conservador de pureza e dominação ou convergem para criar novas configurações de valores e estilos de pensamento”, diz Ismail.
 
Para mais informações acesso o site da Universidade de Sorbonne.
 
por Mayara Teixeira