Curso “Cultura: Plano e Ação” tem proposta inovadora para área de gestão cultural

Nesta semana aconteceu a aula inaugural do curso Cultura: Plano e Ação, iniciativa do Laboratório de Cultura, Informação e Público (LaCIP) e da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Com 35 alunos, esta é a primeira turma do curso de extensão, que é voltado para gestores culturais e lideranças da área cultural dos municípios do Estado de São Paulo, mas que também acabou recebendo alunos dos estados do Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais.


Primeira turma do curso Cultura: Plano e Ação em aula inaugural. Foto: Vanessa Souza

De acordo com a professora Claudinéli Moreira Ramos, doutoranda do Programa de Ciência de Informação da ECA e integrante do LaCIP, a expectativa é que os alunos construam planos municipais de cultura como trabalho de conclusão do curso. Sendo assim, há um caráter experimental que ela considera inovador e arriscado, pois “é uma vivência no modelo de laboratório de políticas públicas que não é tão comum, hoje, em uma universidade”.

O propósito da especialização é “fugir dos modelos principais de construção dos planos de cultura e pensar como se pode elaborar estratégias de planejamento no âmbito dos municípios”.

Sobre o formato do curso, a professora Liliana Sousa e Silva, doutora em Cultura e Informação pela ECA, acredita que é ideal para atender ao grupo alvo. “É um curso mais estruturado, não é muito rápido e ao mesmo tempo não é uma graduação. Acho que dá para tratar os assuntos com um pouco mais de embasamento, não ficar só na coisa superficial”, afirmou.


Da esquerda para a direita: Liliana Sousa e Silva, Claudinéli Moreira Ramos e Patrícia Maria Emerenciano de Mendonça. Foto: Mirella Cordeiro

A aluna Lucinda Nunes contou que a palavra ação do título chamou sua atenção. “Ação é uma das palavras que a gente mais precisa trazer pra nossa realidade de gestor cultural”. Lucinda trabalha na Secretaria de Esporte, Lazer, Turismo e Cultura de Lavras, cidade de Minas Gerais, e acredita que é necessário tornar mais funcional o trabalho de gestão cultural e “trazer todos os anseios que a gente escuta da classe artística”.


Lucinda Nunes está há dois anos na Secretaria de Esporte, Lazer, Turismo e Cultura de Lavras, cidade do sul de Minas Gerais. Foto: Mirella Cordeiro

Deise Pereira, turismóloga de Riolândia (SP), e Murilo Barbosa da Silva, da Prefeitura Municipal de Martinópolis, buscaram o curso para aprimorar os conhecimentos em suas respectivas área de atuação. Murilo ainda afirmou que se interessou pelo curso por ser oferecido pela Universidade de São Paulo.

Claudinéli explicou que gestores de diversas cidades do Brasil foram alcançados devido à utilização de mailings diferentes na divulgação. Um deles foi o do professor Luiz Milanesi, gestor cultural e acadêmico nas políticas culturais, que, de acordo com Claudinéli, há décadas mantém relacionamentos com os municípios para discutir política de cultura. O mailing da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo também foi acionado: “houve a divulgação para os 645 municípios”.


Luiz Milanesi, professor do Departamento de Informação e Cultura (CBD), em aula inaugural. Foto: Vanessa Souza

A professora diz que apesar da distância, de vários compromissos, das condições que dificultam a participação de iniciativas como essa, o tema é necessário e muito presente.  Além disso, o curso é interessante porque “junta a parte de teoria com a parte prática, sem abrir mão de exercícios que serão realizados nos municípios. Pois a construção de um plano exige que ele tenha um grau de participação local, de envolvimento das cidades”, afirma. “Então, a gente vai tentar criar uma coisa bastante diferente do que se vê por aqui”.

Texto: Mirella Cordeiro