Obra de Regina Silveira, professora aposentada da ECA, é ponto de partida para mostra no MAC

A obra da artista Regina Silveira, docente aposentada do Departamento de Artes Plásticas (CAP) da ECA, está em exposição no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. A mostra Paradoxos da arte contemporânea: diálogos entre o acervo do MAC USP e o acervo do Paço das Artes, usa como fio condutor o trabalho da artista para cruzar algumas das obras presentes no acervo do MAC com a documentação e o arquivo do Paço das Artes.

A obra Paradoxo do Santo (1994) foi realizada para uma mostra do Museo del Barrio, em Nova York. A artista propõe uma “instalação ambiental”, na qual contrapõe a imagem popular de Santiago Apóstolo e a grande sombra do Monumento dedicado a Duque de Caxias, de Victor Brecheret.


Paradoxo dos Santos (1994), de Regina Silveira. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

De acordo com as curadoras Ana Magalhães, do MAC, e Priscila Arantes, do Paço das Artes, com a obra, Regina Silveira retratava os conflitos de dominação da América Latina com os europeus (portugueses e espanhois). Além disso, apontava para as contradições dessas relações de força e para a história conflituosa, uma vez que colocou uma grande sombra do monumento brasileiro e uma pequena imagem do santo popular na Europa.

As curadoras afirmam que a obra de Regina Silveira indica para os temas museu, território, ativismo e violência. A partir disso, trabalhos de outros artistas como Gilberto Prado, docente do CAP, Giselle Beiguelman, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), e Alex Flemming também foram selecionados para fazer parte da mostra.


Venetian Tour Scrapbook (2009/10), de Rosângela Rennó. Foto: Divulgação/MAC USP

Em conjunto com a exposição, Regina Silveira participou, na última semana, do MAC Encontra os Artistas, uma série em que o museu convida autores de obras do acervo para conversar com o público.

A docente mostrou fotos de diversas obras e falou sobre sua trajetória. “Eu era conhecida como artista multimídia”, afirma a artista, “significava, no meu caso, uma completa indiferença pelo meio. Podia escolher aquele que se adequasse melhor às minhas ideias”.


Pausa (1994). Interferência de Regina Silveira em objeto de uso real. Foto: João L. Musa

Também abordou sua opinião sobre o papel da arte para a política. “Acho que a arte no campo da política tem o papel da consciência, o modo de estar no mundo e de lidar com o real”, contou. Regina Silveira lembrou de Allan Kaprow, artista que criou o happening.

Happening é uma forma de arte que combina artes visuais com um teatro no qual o público participa. Não há roteiro, nem começo, meio e fim, de modo que o happening não pode ser reproduzido. “Ele levava pessoas vendadas dentro de ônibus, bloqueava a rua, fazia ações políticas”, lembrou, “estamos falando de mudança de consciência. Aí é que eu acho que a arte funciona”, conclui a artista.

MAC Encontra os Artistas acontece todas as primeiras terças-feiras do mês, das 19h às 21h, no Museu. O próximo será em agosto, com o convidado Gilberto Prado.

Serviço:
Paradoxo(s) da Arte Contemporânea: 
Diálogos entre os acervos do MAC USP e do Paço das Artes

Visitação: até 5 de agosto
Horários: Terça-feira, 10h às 21h; quarta a domingo, 10h às 18h. Segunda-feira: fechado
Local: Museu de Arte Contemporânea da USP (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301, Parque Ibirapuera)
Entrada gratuita