‘Ecos de 1968’ leva à reflexão do autoritarismo nos dias de hoje, segundo docente do CBD

Entre os dias 2 e 5 de outubro, acontece Ecos de 1968 – 50 anos depois no Centro Universitário Maria Antônia (CEUMA) da USP, com coordenação de Margarida Kunsch, professora do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) e pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão da USP.

Professores e alunos da ECA estão na programação do evento cujo objetivo é resgatar a memória da Batalha da Maria Antônia, que aconteceu em outubro de 1968, e “tentar entender também como isso foi ecoando até os dias de hoje”, de acordo com a professora Lucia Maciel Barbosa de Oliveira, do Departamento de Informação e Cultura (CBD) e diretora do CEUMA. O confronto, que aconteceu entre alunos da USP e do Mackenzie e policiais militares, resultou na mudança da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) para a Cidade Universitária.


Fachada da FFCL após 10 horas de confronto, em 1968. Foto: Folhapress

Lucia Maciel, que fez parte da comissão responsável pela curadoria, afirma que a exposição do Coletivo Lâmina, Camadas: narratividades visuais da violência, e a intervenção de Diego Castro Alteração de foco 0118, mestre em Poéticas Visuais pela ECA, pensam o autoritarismo nos dias de hoje. Por isso, o evento “não é só uma questão memorialista. Pois a gente ainda está, em 2018, discutindo questões como a volta da ditadura”, esclarece.

A leitura cênica de A lua muito pequena e a caminhada perigosa pelo Teatro do Osso, escrito por Augusto Boal em 1968, também faz relação com o episódio da Maria Antônia e com os dias atuais. Segundo o grupo, formado em 2015 por alunos da Escola de Arte Dramática (EAD), a peça “mostra os últimos passos que Che Guevara deu antes de ser capturado e assassinado em 1967, e faz uma colagem dos seus ideais e pensamentos em alguns diálogos curtos”.

No entanto, “o que fica mais presente e forte no texto é a reflexão sobre a resistência e força das ideias, a impossibilidade de capturar e matar um pensamento”, observado nas tentativas de sufocar pensamentos de esquerda aconteceram durante o período da ditadura civil-militar brasileira. O texto de Augusto Boal, por exemplo, foi censurado. E o Teatro do Osso afirma que esses esforços ocorrem até hoje, como no caso do assassinato de Marielle Franco.


O Teatro do Osso no espetáculo musical Canto para Rinocerontes e Homens. Foto: Marcela Alvim

Durante o evento, haverá exposições e intervenções artísticas, dois lançamentos de novas edições de livros, três leituras cênicas e cinco filmes, dentre eles Vlado – 30 anos depois, que conta a história do jornalista e professor da ECA Vladimir Herzog, morto pelo DOI-Codi em 1975.

ECA na programação

Além da participação do Teatro do Osso, professores e alunos da ECA estão presentes na programação. A abertura conta com a apresentação do CoralUSP, dirigido por Marco Antonio da Silva Ramos, professor do Departamento de Música (CMU).

Maria Thaís, docente do Departamento de Artes Cênicas (CAC), dirige a leitura cênica de Os Fuzis da Senhora Carrar, com coros de alunos e artistas convidados. A peça é de Bertold Brecht, dramaturgo alemão cujas obras se destacaram pelo tom marxista, e foi encenada em 1968 pelo Teatro dos Universitários.

A encenação dirigida pelo professor Sérgio de Carvalho, do CAC, e debates da Revista Aparte: cultura e política em 1968 encerram o evento. A revista, de posicionamento revolucionário, teve duas edições publicadas no ano de 1968, o terceiro número foi destruído com a perseguição política.

Confira a programação completa aqui.

Serviço:

Ecos de 1968 50 anos depois
Data: de 2 a 5 de outubro
Horário: das 19h às 21h, no dia 2 de outubro, e das 16h às 21h, nos dias 3, 4 e 5 de outubro
Local: Centro Universitário Maria Antônia (Rua Maria Antônica, 294, Vila Buarque)