ECA celebra colação de grau de 189 formandos

A noite do dia 8 de maio estava fria. Sinal de que o inverno estava chegando. E com ele, não só o final da série Game of Thrones, mas também a colação de grau de 189 formandos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. 

O evento aconteceu em um prédio muito conhecido pelos ecanos, mas nem sempre explorado. Para alguns, aquela pode ter sido a primeira vez que pisavam os pés no Centro de Difusão Internacional (CDI), mais conhecido como “o prédio vermelho em frente à ECA”. 

As portas abriram por volta das 18h. Os formandos chegaram às vezes acompanhados por família e amigos, às vezes sozinhos. Como é característica da Escola, a diversidade reinou nos trajes e na preparação para a cerimônia. 

Nesse dia tão importante, alguns tinham uma responsabilidade ainda maior na cerimônia. Esse era o caso da oradora da turma, Mariana Soares Freires, formanda do curso de música, com habilitação em viola.

Mariana resolveu “botar a cara a tapa” e enfrentar o desafio de falar na frente de colegas, professores e familiares. Segundo ela, nunca teve problema de falar em público e o curso de música impulsionou ainda mais isso. “Querendo ou não, a gente aprende que na música temos que nos expor o tempo inteiro. Eu me adequei a fazer isso na faculdade, porque todo final de semestre, tínhamos o recital de classe”, relembra a formanda. 

Repetindo uma fala muito comum dos ex-alunos, a oradora conta que mudou muito durante sua trajetória da ECA. Agora, imagina seguir caminhos que nem considerava quando ingressou no curso. Para ela, os ensinamentos dos professores do CMU abriram seus olhos para o funcionamento de sua profissão na vida real. 

Mariana entrou convencida de que queria ser musicista de orquestra. Apesar de fazer isso atualmente – tocando na Orquestra Sinfônica de Heliópolis – conta que pensa bastante na área de gestão cultural, para qual foi apresentada durante a graduação. Quando perguntada sobre suas expectativas para o futuro, a formanda menciona um possível mestrado e diz: “Eu não fiz tudo que queria fazer na universidade ainda”.

Muitos são os graduandos que desejam aumentar o período de sua vivência universitária. Esse foi o caso de Ariane Constantino, formanda de Biblioteconomia. Após ter feito Letras, a estudante resolveu retornar ao mundo acadêmico. O motivo? “Eu gosto de trabalhar com educação mas não queria exatamente ser professora. O curso de Biblio ajudou a complementar minha outra formação”, relata. As expectativas de Ariane não param por aí… em relação ao futuro, ela diz: “Uma terceira graduação, talvez”.

A ECA é um espaço com amplo potencial de mudança. Raros são os ex-alunos que não relatam sua transformação depois de passar pela Escola. É como se marcasse seus estudantes a tinta, conta Carolina Arantes Alves, formanda de Relações Públicas. “Eu tive que me reconstruir e evoluir para me adequar a um mundo que eu nem conhecia.”

Ao mesmo tempo que exige mudanças radicais e pode ser amedrontadora, a faculdade também é a época de abraçar oportunidades inéditas. “A ECA foi um trampolim para muitas coisas boas na minha vida”, afirma Carolina. 

Mas é claro, a vivência universitária não é tão prazerosa se não houver amigos com os quais compartilhar os momentos. É justamente isso que Bruna D’Arc, também formanda de RP, menciona quando fala da melhor parte de ter estudado na Escola: “É muito clichê, mas foram (e ainda são) as amizades.”

O sentimento de se formar é, segundo ela, agridoce. “Encerrar essa fase traz uma grande sensação de orgulho e realização pessoal, mas a nostalgia está sempre presente, ainda mais quando olho para trás e lembro de todas as experiências que colecionei”, relata. 

Mesmo vendo de forma um pouco pessimista o futuro das profissões em comunicações e artes, Bruna enfatiza que esse é o momento que a Universidade deve se unir. Afinal, a ECA possibilita justamente a formação do pensamento crítico que ajuda na compreensão do mundo. “Se hoje eu tento transformar o futuro, é porque eu aprendi a analisar o passado e questionar o presente – e isso eu atribuo à ECA”, diz a agora bacharel em relações públicas. 

A celebração começou com uma marcante apresentação musical, que pode ser conferida a seguir:

 

No dia 8, a ECA celebrou alunos que marcaram sua história. Alguns estão dizendo tchau, outros retornarão logo para uma pós-graduação. Mas o fato é que cada um deles contribuiu para que a Escola de Comunicações e Artes fosse mais plural e completa. 

 

Texto: Maria Eduarda Nogueira 
Fotos: Susana Sato