Aluno da ECA vence Prêmio da Associação Brasileira de Cinematografia

Em 2012, Lucas Silva Campos resolveu ingressar no curso de audiovisual, após uma tentativa falha de cursar biologia no interior de São Paulo. Sete anos depois, o mesmo ex-quase-biólogo ganhou o Prêmio da Associação Brasileira de Cinematografia, na Categoria Melhor Direção de Fotografia de Filme Estudantil. 

Foi com o filme Tempo de ir, tempo de voltar (2018) que Lucas conquistou o prêmio. A criação coletiva, que envolveu a equipe inteira, se trata de um experimento com a tradição do realismo fantasmagórico. O diretor Pedro Nishi também foi premiado no ano passado, no 18º Festival Internacional de Escolas de Cinema, no Uruguai.

A sinopse oficial do filme pode ser conferida abaixo:

Um beliche sem colchão, um banheiro de ladrilhos azuis, uma lavanderia escura, um retrato num altar empoeirado, um corredor longo e estreito, uma janela coberta de jornais. Depois de anos separados, três irmãos voltam a morar juntos na casa de sua infância, a ausência de um deles se faz presente em todo lugar.


Cartaz do filme Tempo de ir, tempo de voltar

Para Lucas, a graduação em teve um papel importante em sua conquista, pois foi por meio dela que ele teve contato com a produção audiovisual contemporânea e com a história do cinema. Por ser integral no começo, o curso de audiovisual possibilita uma “imersão intensa”, relata o ex-aluno. 

Isso também o ajudou a trabalhar em conjunto – fator essencial para a concepção do filme premiado. “Nós, alunos, naturalmente passamos a conviver o tempo todo, criando laços de amizade, de afinidade e desenvolvendo coletivos de criação e de trabalho”, diz. 

Assim como a vivência da graduação, os professores do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) também ajudaram no desenvolvimento de Lucas. “Alguns professores estão super dispostos a ensinar, a dialogar com os alunos e, principalmente ajudá-los a desenvolver suas personalidades criativas, sejam elas quais forem.”

Um desses professores foi Joel La Laina, que auxiliou Lucas durante sua formação na ECA. “A carreira dele iniciou no dia que ele chegou e já começou a correr atrás, a se interessar pelo que os outros colegas estavam fazendo”, conta o professor. 

O docente diz que a fotografia de cinema é um ramo bem complexo e que os estudos são intermináveis. “Não é tão simples como pegar uma câmera e sair fotografando”. O trabalho feito pela equipe de produção é elogiado pelo professor: “Esse prêmio não é uma coisa simples.”

Apesar de ter se formado em roteiro e direção de fotografia, o cineasta entrou no curso com objetivo de trabalhar com trilhas musicais para cinema. Essa mudança de rumo ainda é um mistério para Lucas. No entanto, de uma coisa ele tem certeza: “a fotografia foi me encantando cada vez mais ao longo do curso.”

Os planos para o futuro ainda são incertos, mas o impacto da premiação não foi deixado de lado. Atualmente, Lucas trabalha como colorista e finalizador, mas diz: “Agora, com esse prêmio, pretendo reservar o tempo que tenho livre para desenvolver projetos pessoais, meus e de meus amigos, pois são estes que me fazem sentido e que me trazem satisfação e paz.”

O teaser do filme pode ser conferido a seguir:

 

Texto: Maria Eduarda Nogueira