Exposição “Desenho Sujo” traz novos conceitos na arte contemporânea

Desde o dia 13 de maio, está em cartaz no EdA Espaço das Artes da ECA a exposição Desenho Sujo. O projeto coordenado por Wallace Masuko, doutorando no Programa de Pós-graduação em Artes Visuais (PPGAV), reúne trabalhos de sete artistas, todos ex-alunos no Departamento de Artes Plásticas (CAP): Ana Prata, Rafael Carneiro, Bruno Palazzo, Christiana Moraes, Daniel Nasser e Flora Rebollo.


Cadernos. Bruno Palazzo (2000-2019)

Os desenhos expostos transcendem as barreiras da arte convencional. A ideia do desenho “sujo” surgiu de uma conversa do organizador, Wallace Masuko, com os artistas Daniel Nasser e Rafael Carneiro. Para Ilê Sartuzi, que recentemente participou de um debate sobre a exposição, “essa sujeira poderia ser compreendida como uma posição pseudo-anárquica nas obras, ainda que bem organizadas no espaço expositivo”. Já para Daniel, “é uma manifestação de espontaneidade, de implicação entre o que é precário e acabado, dos desdobramentos disso, de uma certa aposta num horizonte poético.”

Rafael relata que suas obras na exposição são resultado de um trabalho de 15 anos. “Eu tenho tentado explorar o desenhos como uma espécie de forma literária, explorando diferentes linguagens. Uma narrativa tipográfica, na qual gestos e a observação se misturam com imagens pré-existentes, carimbos, fantasmas.”


Bruno Palazzo (2019)

A exposição, no horizonte da arte contemporânea, investiu em desenhos feitos no próprio Espaço das Artes. Uma experiência muito inovadora, porque envolve diretamente arte, artista e espaço. Mas isso também tem suas dificuldades, como relata Daniel: “A parte mais desafiadora foi conseguir compreender esta dimensão do espaço físico, transpor gestos mais habituais para um completamente novo.”

Para Christiana Moraes, também artista, “ocupar o Espaço das Artes, com artistas formados pela própria Universidade, num momento político em que os espaços públicos são postos em xeque, fortalece a discussão sobre suas importâncias.”

O EdA não é só um espaço de exposição, mas também de formação, essencial aos alunos do CAP. Segundo Ilê,  “ter contato com a obra de artistas, ex-alunos do Departamento, e que hoje seguem carreiras das mais distintas, pode ser um incentivo para os estudantes.”


 

Papel do Departamento de Artes Plásticas

O CAP foi responsável por formar todos os artistas que contribuíram para a exposição Desenho Sujo. E essa geração de ex-alunos é hoje responsável por questionar os limites da arte contemporânea. “Todos tiveram uma formação crítica que forneceu ferramentas para que enxergassem várias fissuras no conjunto social e institucional que procura determinar o campo da arte contemporânea”, relata Rafael Carneiro.

A experiência no departamento contribuiu para a própria montagem da exposição, já que foi resultado de um esforço coletivo dos artistas envolvidos. Para Ilê, aluno do curso de artes visuais, “a convivência desses artistas é marcada por uma facilidade no diálogo entre eles no espaço expositivo.”


Queima. Daniel Nasser (2019)

É possível que Desenho Sujo não seja apenas uma oportunidade de expor o trabalho de artistas talentosos. É também a valorização da formação na ECA, a ocupação de um espaço expositivo e um desafio para os artistas envolvidos. “Acredito que esta exposição tenha o mérito de reunir artistas de diferentes gerações e embates com a linguagem do desenho”, conclui Christiana Moraes. 

Desenho Sujo fica em cartaz até o dia 14 de junho, no EdA – Espaço das Artes da ECA, localizado na Rua da Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária. Os horários de visitação são das 10h às 20h, de segunda a sexta. A entrada é gratuita. 

 

Texto e fotos: Maria Eduarda Nogueira