Fórum propõe redes de conhecimento e questiona unidade ibero-americana

A segunda mesa de debate do Fórum Ibero-Americano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação abordou a construção do espaço ibero-americano na produção de conhecimento. Questionamentos sobre a existência de uma cooperação acadêmica produtiva e sobre a internacionalização das universidades pautaram a discussão moderada pela professora Nélia Del Bianco, doutora em Comunicação pela ECA-USP e vice-presidente da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação).


Pesquisadores discutem o intercâmbio acadêmico e a produção científica da comunidade ibero-americana

Luiz Albornoz, da Universidade Carlos III de Madrid, ressaltou o interesse europeu em estabelecer intercâmbio com as nações emergentes, principalmente as pertencentes ao BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia e China). Segundo o pesquisador, o interesse é por relações privilegiadas com apenas alguns países e algumas de suas instituições. “Os melhores colaboram com os melhores, deixando de lado a maioria das universidades”, afirmou.

Francisco Serri, vice-presidente da CONFIBERCOM, falou sobre a dominância de fontes tradicionais nas bibliografias de pesquisas, alertando para uma análise comparada deficiente entre a própria comunidade ibero-americana. “É preciso criar um espaço de visibilidade para nos reconhecermos”, disse. Uma base de dados hospedada em uma plataforma virtual comum foi apontada como uma das possíveis soluções para intensificar o fluxo de referências.

Da Universidade de Santiago de Compostela, Margarita Ledo, alertou para a separação cada vez maior entre pesquisa e docência. Segundo a professora, o setor privado investe muito pouco em pesquisa, mas usufrui muito de seus resultados. “Temos que definir linhas e convergência de interesse”, propôs.

O secretário-geral da Associação Ibero-Americana de Comunicação, Luís Humberto Marcos, acredita que é necessária a anulação de fronteiras para intensificar as trocas acadêmicas, mantendo a identidade do cidadão (sem perder características próprias por causa dos deslocamentos). Além disso, Humberto Marcos apoia a implantação da Revolução de Bolonha nas universidades da América Latina, como forma de integrá-la aos processos de reestruturação acadêmica da Espanha e de Portugal.

Martin Becerra, da Universidade Nacional de Quilmes, Argentina, encerrou a mesa contrapondo-se à transposição da Revolução de Bolonha, segundo o pesquisador devem ser elaboradas propostas coerentes para a América Latina. “Essa revolução não corresponde à tradição e à prática que temos aqui”, afirmou. 

 
Por Mayara Teixeira