Pós-graduação no espaço ibero-americano

Na quinta-feira, 4 de agosto, último dia de atividades do 1° Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana (CONFIBERCOM), aconteceu o Fórum Ibero-Americano de Pós-Graduação em Comunicação. As discussões foram coordenadas pela professora Maria Immacolata de Vassallo Lopes, professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA),  e integrante da comissão organizadora do CONFIBERCOM 2011.

Lívio Amaral, diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), abriu as exposições do Fórum com um panorama geral sobre os 4,5 mil cursos de pós-graduação brasileiros. Ele contou que o Brasil tem 1,4 doutor para cada mil habitantes, número baixo se comparado ao de países como a Suíça, onde há 23 doutores para cada mil habitantes.
 
Pesquisadores debatem a Pós-Graduação na Ibero-América
 
Em seguida, foram apresentados informes que visavam expor a situação das pós-graduações em todo o espaço Ibero-Americano. Com relação ao México, América Central e Caribe, 68% do seu total de pós-graduações estão vinculados a instituições privadas e a maioria delas se concentra no México. Já na América do Sul, excluindo-se o Brasil, a maior concentração de doutorados se dá na Argentina e na Colômbia.
 
A professora Immacolata contou que, no Brasil, a pós-graduação está majoritariamente situada em Instituições de Ensino Público, ao contrário do que ocorre com as matrículas em graduação, que estão em sua maioria no setor privado. Immacolata também ressaltou que a “internacionalização é tema relevante e estratégico para a agenda de comunicação científica brasileira”, e que cerca de 79% dos programas de pós-graduação no país realizam convênios de cooperação com instituições internacionais.
 
Antonio García Jiménez, da Universidad Rey Juan Carlos, explicou que está ocorrendo na Espanha uma renovação do modelo universitário e detalhou o funcionamento do sistema de verificação das pós-graduações espanholas. Jiménez relatou, ainda, que “em alguns cursos, mais de 50% dos alunos são estrangeiros, mas poucos pesquisadores espanhóis estão saindo do país”.
 
Com relação a Portugal, a peculiaridade apresentada por Moisés de Lemos Martins, da Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), é que as avaliações de pós-graduações no país só começarão a ser realizadas em janeiro de 2012. Lá, a educação superior é subvencionada em parte pelo estado e em parte pelos estudantes.
 
Conclusões
 
Por fim, novos convidados foram chamados à mesa a fim de comentar os informes apresentados. Para Maria Helena Weber, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, deve-se dar atenção ao fato de que “o investimento na produção do conhecimento está ligado a questões políticas, econômicas, profissionais, não somente à ciência”. Já Nair Kobashi, professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD), acredita na importância da criação de uma terminologia comum, que unifique os termos usados pelos pesquisadores dos países ibero-americanos, e também de um mecanismo que agregue os dados relativos às pesquisas destes países.
 
Para José Luiz Aidar, representante da Área de Comunicação no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) “nós devemos realizar mapeamento superiores e nos engajar na construção de uma rede a partir de tudo que foi apresentado”. Ele também acredita na importância da criação de um banco de dados matricial e na reunião de informações estruturais e dinâmicas acerca das pesquisas realizadas, que poderiam ficar expostas na internet.
 
Para encerrar, Itania Maria Gomes, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS), sugeriu que se propicie a circulação dos documentos produzidos para a apresentação dos informes no Fórum e que se trabalhe o reconhecimento das especificidades de cada pesquisa. Ao final, Immacolata enfatizou que a ideia é fazer com que os Fóruns se tornem permanentes. “Aqui nós estamos apenas iniciando os trabalhos”, completa.
 
Por Thaís Helena Amaral