Desafios para a comunicação ibero-americana: integrar e compartilhar

Depois de quatro dias de intensa atividade acadêmica, fóruns, simpósios, mesas de debate e painéis, o 1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana (CONFIBERCOM 2011) chegou ao fim.
 
Pesquisadores discutem o intercâmbio acadêmico e a produção científica da comunidade ibero-americana

 
Segundo José Marques de Melo, presidente da CONFIBERCOM, “a função mais importante do congresso foi criar uma comunidade internacional, reunindo os povos de língua portuguesa e espanhola”. O objetivo dessa comunidade é ser uma ferramenta de auxílio à preservação das identidades culturais dos países ibero-americanos.
 
Pesquisadores e professores de diversos países puderam se reunir em um único espaço para discutir a realidade e algumas propostas para o fortalecimento desse espaço.  O que de fato essa comunidade compartilha? Quais são seus objetivos em comum? Quais são seus pontos de convergência? Questionamentos como esses perduraram entre todas as apresentações.
 
"Me arrisco a dizer que compartilhamos a desigualdade, a pobreza e uma singular forma de relacionar democracia e corrupção", é o que acredita José Márcio Barros, do Observatório da Diversidade. Barros fez parte do terceiro painel de abertura do congresso, Diversidade Cultural Ibero-Americana, em que defendeu a superação de isolamentos para que de fato se construa uma comunidade, não só de integração, mas de compartilhamento.
 
Ponto comum entre muitos dos comentários foi a disputa pela hegemonia de modelos econômicos, políticos e culturais protagonizada pelos países emergentes, muitos deles membros da comunidade ibero-americana. Segundo Emili Prado, da Universitat Autónoma de Barcelona, "a multiplicação do conteúdo de produções nacionais poderia servir para romper com a hegemonia de produções norte-americanas".
 
A posição do Brasil
 
Para  Marques de Melo, o Brasil é uma liderança no processo ibero-americano de discussão da comunicação. “Nós tomamos a iniciativa de levantar a comunidade ibero-americana, de alavancá-la, e foi natural que trouxéssemos o congresso para cá”, diz. Para Marques, o evento é importante também para a ECA, que com ele recupera parte de suas raízes ibéricas.
 
Marques conta que o Brasil possui um sistema de comunicação atrofiado. De acordo com ele, o veículo que gera maior impacto no país é o rádio. Porém, o que recebe a maior renda publicitária é a televisão, que acaba sendo o principal mecanismo de formação de opinião do povo brasileiro. “A imprensa, que deveria ser responsável pela formação da opinião pública, atinge uma minoria da sociedade. Menos de 10% dos brasileiros leem jornal diariamente”, afirma.
 
 
 
O desafio levantado pelo congresso, e que deverá ser pauta de muitas das atividades, a partir de agora é como estreitar o diálogo e o compartilhamento de conhecimento científico entre os países, mantendo suas identidades culturais, mas consolidando a importância da comunidade ibero-americana na área de comunicação.
 
Talvez o questionamento de Luís Humberto Marcos, do Instituto Superior da Maia, resuma bem as conclusões e os desafios estabelecidos pelo congresso. “Como romper o círculo vicioso entre as constituições democráticas e as práticas discriminatórias? A prática demora a chegar nessa mesma convergência" .

 

Por Leonardo Maran e Mayara Teixeira