Ser parte de um todo – como foi criada a Campanha de Recepção 2020

Alunos do curso de Publicidade conceberam o projeto a partir de um poema e de pesquisa com alunos e ex-alunos da USP

Milhares de alunos ingressam anualmente na USP. Mas outros milhares também ficam de fora. Lidar com essa ambiguidade em uma universidade pública nem sempre é uma tarefa fácil. Principalmente na Semana de Recepção aos Calouros. Além disso, a responsabilidade de fazer a campanha que circula em toda a USP pode ser um pouco intimidadora. Afinal, é difícil representar uma comunidade tão grande. 

Esse foi o desafio dos alunos do terceiro ano do curso de Publicidade e Propaganda Daniel Sanchez, Guilherme Chaves, João Vítor de Oliveira, Marcelo dos Santos, Melina Parada e Melissa Lie Tsuzuki, responsáveis pela criação da campanha de recepção deste ano.

Os alunos passam um ano e meio realizando um trabalho mais prático na área de Publicidade, que culmina com a elaboração da campanha. A disciplina é coordenada pelo professor Heliodoro Teixeira Bastos Filho, o Dorinho, com orientação da designer Susana Narimatsu. 

O tema “Você faz parte de tudo isso" veio de um poema de Gregório de Matos, um dos autores indicados para leitura obrigatória da Fuvest. “A gente não queria passar um segundo recado para quem está fora, de que estar nesse ambiente é algo exclusivo”, comenta Melina. O objetivo da campanha, apesar de ser direcionada aos ingressantes, é envolver a totalidade da comunidade uspiana, mostrando que cada um de seus membros é parte de um “todo”, que agora recebe outras “partes”.

Para conceber essa ideia, os (futuros) publicitários fizeram uma pesquisa com alunos e ex-alunos da USP para entender o modo como enxergam a Semana de Recepção. A diversidade de cursos e unidades na maior universidade da América Latina faz com que o conceito de recepção seja lido de uma forma diferente em cada situação. O grupo percebeu que a integração era um elemento em comum nesse momento – tanto a presença quanto a falta dela.

Assim, conceberam a campanha pensando em inclusão. Não apenas na semana das atividades, mas também ao longo de todo o percurso do ingressante na USP, considerando como a ideia de inclusão está ligada a questões de permanência, que ganham mais relevância à medida que mais estudantes vindos de escolas públicas entram na USP. 

Essa proposta inclusiva permeou o processo criativo também, uma vez que os personagens representados nas artes não têm gênero, idade ou campo de estudo definido. “Mas todos, pela expressão corporal, exprimem contentamento e leveza, como se já estivessem se sentindo confortáveis, acolhidos e pertencentes ao todo que é a Universidade de São Paulo”, explica Susana, orientadora do grupo.

Parte da proposta inclusiva foi criar personagens sem gênero, idade ou curso definidos.

Por meio da pesquisa com o público uspiano, o grupo também notou que muitos reclamavam da ausência de informações claras e precisas nos primeiros dias na faculdade. Por esse motivo, uma das ações promovidas são posts informativos no Instagram, que abordam questões práticas do cotidiano na universidade: auxílio estudantil, mobilidade dentro do campus, procedimento de matrícula. Algumas publicações já começaram a ser feitas no perfil da Pró-Reitoria de Graduação.

A escolha do Instagram levou em conta “onde os calouros estão”, ou seja, em quais plataformas da internet eles se fazem mais presentes, explica Guilherme. Além disso, a rede permite mais facilidade e espontaneidade na hora de acessar a informação, já que o feed do Instagram privilegia a exibição de imagens e vídeos. 

O objetivo é que a comunicação continue ocorrendo por esse meio mesmo após a Semana de Recepção, tornando esse perfil uma fonte de ajuda permanente para os novos calouros da Universidade.

Os alunos criadores da Agência Toca. Foto: Divulgação/Agência Toca.

O grupo de seis estudantes formou uma agência experimental: a Toca. Desde seu princípio, explica Melina, a questão do acolhimento e da inclusão já foi pensada. Afinal, uma “toca” é um local de proteção.

A dinâmica de trabalho exigiu muita organização, uma vez que, com estágio e outros compromissos, a disponibilidade de cada um era limitada. Para resolver esse problema, os alunos utilizaram muito o recurso de chamadas online e aproveitaram o momento das aulas – separadas em etapas teóricas e práticas – para colocar a mão na massa. 

O resultado final desse trabalho poderá ser visto espalhado por todos os campi e também pela internet, nas redes sociais da USP. 

 

 

Texto: Maria Eduarda Nogueira

Imagem de destaque: Campanha de Recepção aos Calouros 2020