Arquivo Miroel Silveira é transferido para o Arquivo Público do Estado

O Arquivo Miroel Silveira, nomeado em homenagem ao já falecido professor do Departamento de Artes Cênicas (CAC), foi transferido para o Arquivo Público do Estado de São Paulo depois de décadas sob a guarda da Biblioteca da ECA. Ao todo, o conjunto é composto por mais de seis mil documentos de censura prévia ao teatro brasileiro, compondo um acervo único – o mais completo que se conhece – acerca da censura no país. Além de proporcionar um acesso mais amplo aos documentos, a transferência também irá garantir melhores condições de conservação e armazenamento do catálogo, de inestimável relevância para o teatro e a cultura nacional.

Professor da ECA e figura de grande importância para o teatro brasileiro da década de 1950, Miroel Silveira concentrou esforços em resgatar milhares de documentos teatrais que haviam sido previamente censurados pela ditadura militar. Com o vislumbre da abertura democrática proporcionada a partir dos anos 1980, o teatrólogo procurou o serviço de censura do Departamento de Divisões Públicas do Estado de São Paulo para saber qual fim os arquivos então censurados havia tomado. Ao saber que todo o catálogo preservado seria incinerado, Silveira conseguiu resgatar e trazer os documentos para a sua sala na ECA. Posteriormente, a coleção foi realocada na Biblioteca, onde permaneceu até a sua completa catalogação, iniciada no ano 2000.

Iniciativa organizada pela então diretora da Biblioteca, Bárbara Menezello, e pela professora Maria Cristina Castilho Costa, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), que na época era presidente da Comissão de Biblioteca, a catalogação do arquivo envolveu também a bibliotecária Ana Lúcia Recine, a professora Mayra Gomes, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), e os professores o professor Ferdinando Martins e Roseli Fígaro, do CCA. Após a classificação, foi organizado um banco de dados que inclui a documentação oficial das peças e os pareceres dos censores. 


Grupo que colaborou na organização do acervo foi homenageado em sessão da Congregação da ECA realizada no dia 24 de outubro. Foto: André Bueno

Inúmeras pesquisas foram desenvolvidas durante os 18 anos subsequentes à organização do acervo, dando subsídio a estudos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Houve uma produção enorme a partir do arquivo Miroel Silveira. Fizemos convênios com grupos que estudam a censura em todo o mundo. Esses 18 anos em que o arquivo foi estudado possibilitou uma variedade de pesquisa imensa”, conta Cristina Costa. 

Sobre a importância dos documentos para a cultura brasileira, a docente completa: “É o único acervo completo sobre a censura de 1930 a 1970. Ele recupera todo o teatro brasileiro: estudantil, operário, amador, infantil... É de uma riqueza inacreditável”.