Alfabetização Midiática e informacional: reforçando os direitos humanos

A Plenária Media and Information Literacy: Reinforcing Human Rights, Countering Hate Speech, Radicalization and Extremism, realizada no dia 4 de novembro, foi moderada pela professora Esther Hamburger, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), e integrou a Semana Global de Alfabetização Midiática e Informacional - Global MIL Week 2016, como parte das comemorações do cinquentenário da ECA,  promovido pela UNESCO, USP e Departamento de Cinema, Rádio e Televisão, nos dias 2 a 5 de novembro, na ECA/USP.

As falas da sessão tomaram como ponto de partida o complexo cenário midiático atual, no qual se torna extremamente difícil determinar a legitimidade das informações e a confiabilidade de conteúdos gerados pelos usuários. Nos meios de comunicação, fundem-se fragmentos de informações, fatos parciais e até mesmo a explícita disseminação da desinformação. 

Os projetos apresentados discutiram o papel da alfabetização midiática e informacional como ferramenta de autonomia, equipando a população para a defesa de seus direitos. Foram exploradas contra-narrativas  aos discursos de ódio, à radicalização e ao extremismo, assim como oportunidades para se promover uma cultura de democracia, tolerância e paz. Os debatedores também apontaram para a transição de uma visão da internet como espaço de radicalização, para um ambiente promotor de mudanças positivas.

Jean-Richard e Theresa Bodon, ambos da Sam Houston State University (EUA), abriram a sessão exibindo um documentário que produziram no campo de refúgio Calais Jungle, na França. As filmagens, realizadas pelos próprios refugiados, permitem uma visão em primeira pessoa dos sentimentos de tensão, incerteza e esperança dominantes no acampamento.

Na segunda fala, Sun Aiping, da Cyberspace Administration of China, apresentou um projeto destinado à orientação da população chinesa, estimulando os usuários a navegarem a internet de forma responsável e segura.

Já o alemão Wilfried Runde, da Deutsche Welle, discutiu o papel intermediário da mídia no tratamento da informação e no combate aos discursos de ódio e intolerância.


Apresentação de Wilfried Runde, da Deutsche Welle

 

Em seguida, Divina Frau-Meigs, da Universidade Sorbonne Nouvelle, apresentou um levantamento de pesquisas acadêmicas no âmbito do comportamento terrorista e da radicalização da juventude. 


Divina Frau-Meigs, da Universidade Sorbonne Nouvelle
 

O nigeriano Olunifesi Adekunle Suraj, da Lagos State University, analisou categorias de extremismo, mapeando diferentes indicadores de radicalização.

Menahem Blondheim, da Hebrew University of Jerusalem, apontou possíveis caminhos pelos quais mídia e universidade podem promover a paz e a defesa dos direitos humanos.

Por fim, o mexicano Jesus Lau, da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA), concluiu a sessão enfatizando a necessidade de se abordar a questão da violência nos estudos de alfabetização midiática e informacional.

Texto: Susana Sato
Fotos: Eduardo Peñuela