Com TCC sobre viajante afro-brasileiro, aluna do CRP ganha destaque na Rede Afro Turismo

Apresentado no final de 2018 pela estudante do curso de turismo Thainá Souza Santos, o trabalho de conclusão de curso O viajante afro-brasileiro: enegrecendo o turismo faz uma reflexão sobre os empreendimentos e roteiros turísticos e a população negra. Após a defesa, a pesquisa, que aborda temas como racismo, preconceito e o viajante afro-brasileiro, ganhou repercussão e foi apresentada a empreendedores negros, organizações turísticas e instituições da Rede Afro Turismo.


Thainá Santos e o orientador Reinaldo Miranda de Sá Teles, docente do CRP, durante a defesa do TCC

A pesquisa

"A principal questão era entender quem é o viajante afro-brasileiro", explica Thainá, que, com o estudo, busco refletir sobre a seguinte problemática: "a cor da pele afeta a experiência de viagem?" Para dar bases ao trabalho, Thainá expõe a trajetória e as questões socioeconômicas do afro-brasileiro, destacando a sua invisibilidade como viajante negro e discutindo como o racismo é estrutural no Brasil. O estudo traça um perfil de quem é esse viajante e de como a sua origem étnica afeta a sua experiência turística. A aluna realizou também uma pesquisa on-line com 580 respostas válidas, a fim de obter uma melhor compreensão do afroturismo e da mobilidade social de viajantes da classe C/D.

"Ano passado, tive a oportunidade de fazer uma viagem internacional e, ao longo da experiência, percebia que não me enxergava nesses espaços de lazer, conta Thainá sobre viagem de 71 dias, feita imprevisivelmente, sem avisar seus conhecidos. "Além disso, o contato com o movimento crescente #blacktravelmovement despertou minha curiosidade de pesquisa", sobre os motivos que a levaram a escolher este tema. 


Thainá Santos em Paris, uma de suas viagens feitas sem roteiro definido, que colaborou com sua pesquisa

Em entrevista para o blog de viagens Janelas Abertas, Thainá relata a experiência de mulher negra viajante solo: "Como mulher negra, sentia que não era um espaço onde as pessoas esperavam que eu estivesse", conta a aluna. Ela observou que o preconceito é cotidiano em diversos lugares, "mas ele não me atingiu em todos os países, salvo em um dos aeroportos em que me questionaram por que eu estava na fila de embarque prioritário, que é mais caro, e eu respondi 'porque eu paguei por ele'".

O contato com a Rede Afro Turismo

O trabalho de conclusão de curso ultrapassou o espaço acadêmico e ganhou repercussão fora da Universidade. No dia 18 de fevereiro, Thainá Santos foi convidada para o lançamento da Rede Afro Turismo, negócio turístico que visa potencializar a integração de viagens entre Brasil e África, além de valorizar o viajante negro.


Thainá Santos apresentou seu projeto O viajante afro-brasileiro: enegrecendo o turismo no lançamento da Rede Afro Turismo, no centro de inovação InovaBra - Habitat

A aluna apresentou sua pesquisa de TCC, juntamente com o seu orientador, para empreendedores negros, organizações turísticas e instituições, assim como representantes de consulados de países africanos. O trabalho de conclusão de curso ainda rendeu a Thainá o convite para ser correspondente do coletivo de mulheres negras viajantes Bitonga Travel.

"Tinha em mente que gostaria de retornar aos respondentes os principais resultados e análises, mas não imaginei esse alcance", conta a aluna sobre a repercussão positiva da pesquisa. Agora, ela deseja extrair mais análises do banco de dados gerado pela pesquisa, para se aprofundar no tema.

Texto: Letícia Passarinho
Fotos: acervo pessoal da entrevistada